terça-feira, março 27, 2007

Haste Makes Waste

Dizem que vivo no passado. Certo. Gosto mesmo de lembrar, de buscar na memória coisas que aconteceram. Sentir saudade faz parte de minha personalidade. Tento o mais que posso não comparar as épocas. Seria injusto com o presente.
Há muitos anos, quando comecei na informática, o mundo impressionava-se com as velocidades obtidas.
O diretor chegou cedo. Nós, os operadores do turno, fôramos prevenidos, ele viria conhecer as novas impressoras adqüiridas pelo banco. As mais rápidas do mercado, capazes de imprimir uma enormidade de linhas por minuto.
Olhar sério, mãos para trás, caminhava ouvindo atentamente o matraquear ensurdecedor das máquinas. O papel, puxado com extrema velocidade, acumulava-se nos escaninhos. Às vezes o executivo parava, fixava o olhar, franzia o cenho. Depois continuava, sempre muito sério, sem falar com ninguém.
Então ouvi um palavrão. Um de meus colegas não se contivera. O papel, acumulando-se de maneira incorreta em um dos equipamentos, acabara rasgando. O tampo que fechado, tornava o processo um pouco mais silencioso, abrira-se automaticamente, denunciando a falha decorrente da ação extremamente rápida e contínua.
Então o homenzinho, do alto de seu poder, aproximou-se do acidente. Aparentemente ignorando o impropério analisou o ocorrido, curioso. Balançou a cabeça, coçou o queixo, suspirou e afastou-se, concluindo:
- A pressa é inimiga da perfeição!

7 comentários:

valter ferraz disse...

Lord, teve que se render à máquina!
Bom, hoje não teria tantos problemas, as impressoras estão cada vez mais silenciosas e velozes. Velozes e furiosas, eu diria.
Lembrei de quando recém-casado acumulava ao emprego de escriturário na Miojo Lamem um trampo como digitador no Bco Mercantil de S.Paulo. Das 20:00às 06:00hs. Microfilmagem de cheques, pode? E o "cara" que ficava lá dentro do aquário a gente olhava para ele como se fosse Deus. Era o Operador de Computador, quase uma entidade!
Grande abraço

Eduardo disse...

Ótima Lord!

aninha-pontes disse...

Ah! que bom que as coisas evoluem né?
Também gosto de pensar em como eram as coisas, e gosto hoje de olhar prá mim, e pensar que também cresci, ou melhor, evoluí, porque crescer, isso não teve jeito mesmo!
Agora, verdade, o apressado sempre come crú e quente. Presta não!
Um beijo

Mani disse...

Adoro quando alguém se rende ao óbvio!

Lord Broken Pottery disse...

Valter,
Pois é, a gente trabalhava em aquários, como se fosse peixe. As emprêsas adoravam exibir seus computadores e a gente ia de quebra, no embrulho. Uma vez saí no braço com um colega mas... Isso já é outra história.
Grande abraço

Eduardo,
Também gosto muito, nunca esqueci da cena.
Abraço

Aninha,
Também gosto da sensação de crescer, evoluir, é o preço que pagamos pra ficar um pouco mais velhos.
Beijão

Mani,
O mais legal é ver um senhor olhando para uma impressora dizendo essa frase. Ri muito na época e ainda rio quando lembro.
Beijão

GUGA ALAYON disse...

ahahahaha. ótima mesmo!

Lord Broken Pottery disse...

Guga,
Tanto gostei que não esqueci. E olhe que isso deve ter acontecido por volta de 1980.
Abraço