segunda-feira, abril 02, 2007

As Drunk As A Skunk.

Sempre que me oferecem bebida, ou perguntam se bebo, repito que minha cota nessa encarnação, e na próxima, já está esgotada.
Passei boa parte de minha juventude bebendo. A compulsão por álcool era uma coisa assustadora. Acordava pensando em encher a cara. Gostava de bebidas fortes, destiladas. Dificilmente ia dormir em condições normais. Tenho uma visão em sépia da época, com a memória bastante alterada, os fatos aparecendo confusos, em câmara lenta. O que me lembro, para formar um todo, necessita de relatos testemunhais que me foram depois contados. Hoje, meu olhar sóbrio de mais de quinze anos sem beber, consegue encontrar graça nas situações que vivi.
Voltava da balada numa sexta-feira à noite. Faço aqui dois parêntesis. No primeiro desculpo-me por apropriar-me do termo balada, na época desconhecido. No segundo corrijo dia e horário. Na verdade já era madrugada de sábado, coisa de três, quatro horas da manhã. Através da Vila Madalena, seguindo pela rua Mourato Coelho, dirigia meu carro em condições lastimáveis. Ziguezagueando, dormitando no volante, perigosamente anestesiado por muitas caipirinhas, não percebi a rua bloqueada, feirantes montando suas barracas. Despreocupadamente lancei algumas pelos ares sem machucar, felizmente, e de maneira incrível, ninguém. Tinha naqueles dias, segundo palavras de minha mãe, um anjo da guarda eficientíssimo, além de incansável. Não precisa dizer que quase fui linchado. Palavrões, trancos, a faca do peixeiro apontando para minha barriga, um pé de alface sobre o capô, são alguns dos fragmentos de minhas lembrança etílicas da ocasião. Para encurtar a história, tive que usar o talão de cheques e saldar algumas dívidas adqüiridas naquele instante, só assim livrei-me do incômodo da revolta injusta daqueles trabalhadores matinais.
O que tenho de histórias desse tempo, todas muito divertidas, daria para escrever um livro. Já tenho até título: Bêbado como um Gambá!

15 comentários:

valter ferraz disse...

Lord, aproveitando a visita próxima de nosso estimado pontífice Bentinho XVI( que tem um olhar de quem traga todas)vc resolveu se abrir e confessar em público?
A expressão bêbado como um gambá não corresponde à realidade, pois até onde conheço de zoologia, gambpás não bebem, apenas fedem e muito, seria por isso a comparação?
Mas estórias de bêbados acho que todos temos algumas. Se contasse as minhas tenho certeza que a meia dúzia de pessoas que ainda prezam a mim, deixariam-me a falar às paredes, você inclusive.
Abraço grande

Lord Broken Pottery disse...

Valter,
Não sei a que atribuir a expressão, talvez seja a pura tradução da inglesa que usei como título. Pois é, parei de beber há muito tempo, o caminho que estava seguindo era perigoso, o papa parece que continua. Guardo ainda muitas histórias da época. Algumas bem engraçadas.
Abraço

peri s.c. disse...

Parece que você não era daqueles que sofriam de amnésia alcoólica.Aguardamos os relatos pifônicos.

Tchim, tchim

valter ferraz disse...

Peri, ele só lembra "de ouvir falar"

valter ferraz disse...

Lord, vamos fazer um revival? Vc conta as tuas, eu as minhas(só aspublicáveis, lógico) e agente vê no que dá?
Tá lançada a idéia.
Abraço

GUGA ALAYON disse...

Lord, tenho um amigo que entrou na barraca de ovos na mesma bat-feira feira, na mesma bat-hora e na mesma bad-conditions. Se isso aliviar alguma coisa...

O Meu Jeito de Ser disse...

Minha mãe costumava dizer que anjo da guarda de criança e de bêbado, deveria receber em dobro, horas extras e tudo mais.
Sim porque eles não podem descansar nunca.
Um beijo

valter ferraz disse...

Gugala, está convidado a contas as tuas aventuras etílicas(só as publicáveis também). Topas?
Abraço

Lord Broken Pottery disse...

Peri,
Amnésia pouca é bobagem, eu não lembrava de nada. O que sei me contaram depois.
Abraço

Valter,
Uma vaga lembrança! Topo o desafio. Quem começa?
Abraço

Guga,
Pois é, a feira estáem bat lugar e bat hora errados. Deveriam fazer uma passeata na Paulista, em prol da segurança dos bêbados, para mudá-la de lugar.
Abração

Aninha,
O meu anjo da guarda, aposentado pois não bebo mais, ganhou muito dinheiro. Vive tranqüilo em alguma nuvem do Caribe.
Beijão

Valter e Guga,
Um livro de contos etílicos contados por blogueiros pode dar samba.
Abraços

anna disse...

percebi aos 30 que bebia de um jeito esquisito. distribuia pelos apartamentos as garrafas de cerveja (na época não eram latinhas e nem recicláveis), porque já pensou se alguém visse a cota noturna? coisa de bêbada paranóica. fiquei 5 anos sem beber, sem fumar, sem sair, sem rir, sem... sem... mas sóbria, o que me aliviava pois prá piorar o quadro ainda sofria de amnésia etílica.
hoje as vezes boto o pé na jaca. mas não escondo mais as latinhas.

Lord Broken Pottery disse...

Anna,
No meu caso parei de vez. Cheguei à conclusão de que não sabia beber. A compulsão era enorme, só parava quando ficava bêbado. Caminhava perigosamente para um alccolismo sem volta.
Beijão

Vivien disse...

Lord, entendo sua opção.;0)))
Pra evitar vexame, can-can sobre a mesa e afins, vou de coca-cola light. E só.;0)

Lord Broken Pottery disse...

Vivien,
É como eu digo, cansei de vexame, de ficar sozinho. Ninguém tem saco com bêbado.
Beijão

belly disse...

Escreva.

Aposto que vai ficar bom.

E, moço, coloca o link para o seu blog com os dois "TT" do pottery. Senão a gente clica, clica, e só dá blog-not-found-404.

Se bem que o mistério também é uma ótima propaganda.

Lord Broken Pottery disse...

Belly,
Falha nossa! Prestarei mais atenção. Obrigado.
Beijo