segunda-feira, abril 09, 2007

Politically Correct (PC)

Com relação ao vocabulário vigente as coisas ficaram pretas. Pronto, comecei mal. Não deveria usar a expressão pois conota racismo. Seria preferível ter dito que as coisas desandaram, não estão dando certo, mas nunca usar uma cor. É errado.
Pois é, tenho me atrapalhado bastante ultimamente. Muitas das palavras que sempre utilizei são agora desaconselhadas. Outro dia referí-me a um sujeito como xiita, pecado grave, a norma agora é usar radical. Dizer que um conservador é reacionário tornou-se ofensivo, que o doente é aidético nem pensar, escolha soropositivo, é mais elegante. A ordem é que nos adaptemos aos novos tempos. Estou tentando me enquadrar.
Li outro dia para minhas sobrinhas Branca de Neve e os Sete Portadores de Nanismo. Evito chamar alguém de palhaço para não ofender o profissional de entretenimento. Orientei o cara que pede esmolas em minha rua. Ele agora diz: "Esmola para um pequeno deficiente visual, pelo amor de Deus!". Ao meu amigo Marcão, que sempre chamei carinhosamente de negão, chamo agora de grande afro-descendente. E quando viajo para São João del Rei, em Minas, não deixo de visitar as esculturas do Portadorzinho de Deficiência Física. Eu chego lá!

19 comentários:

valter ferraz disse...

Caro Lord, você que é da alta nobreza precisa estar sempre mais atento por que a massa ignara não te perdoará. Big Afro-descendente é um bom jeito de chamar o negão da esquina. E também não podemos usar a expressão zé-mané quando nos referirmos a um zé qualquer, aquele famoso joão-ninguém. Os tempos estão escuros, quase Celso Pitta, aquele escurinho quase preto que passou pela prefeitura de São Paulo fazendo coisas mal-cheirosas.
Um puta abraço

Eduardo P.L. disse...

Lord, andei me metendo no seu comentário lá no Valter. Me desculpe. Mas este seu post esta perfeito. Sou como você, sempre usei esses termos e palavras que não embute nenhum pre-conceito ou racismo, mas se tornaram POLITICAMENTE INCORRETAS.
O Valter é um dos nossos, e acabou de chamar o ex-prefeito de preto. Ele é NEGRO. Agora pergunto: qual é a diferença?.
Muito boa postagem e tema a ser mais longamente debatido.
Abçs

Lord Broken Pottery disse...

Valter,
Massa ignara é outro termo desagradável, pouco ético, precisamos nos policiar, amigo.
Grande abraço

Eduardo,
Negro, preto, branco, ao pé da letra nenhuma dessas cores serve pra nos definir. Aprendi na escola que haviam quatro raças: brancos, negros, amarelos e vermelhos. Os professores da época, provavelmente, trabalhavam com má fé.
Abração

Sibila disse...

Acho o politicamente correto, correto, corretíssimo, necessário. Mas às vezes a preocupação é tanta q a conversa fica completamente artificial, chata. Me lembra os ingleses mesmo, esses de q vc tanto gosta: um tantinho reprimidos não? (Numa boa morei lá e gosto deles, e nós aqui somos tão ou + reprimidos por outros motivos, e não será talvez por sermos politica/te incorretos em demasia? Mas, voltando, por conta da cortesia excessiva inglesa talvez a explosão do Rock, do Punk etc., num acha? Qto aos "pretos", muitos afro-descendentes se autodenominam assim. A filha do Gil: Preta Gil. Qtas canções do Caymmi ou do Paulinho da Viola, com "num é minha nêga ?", uma delícia de espontaniedade e carinho. Mas detesto qdo afim de chamar os brasileiros pejorativamente se usa "caipira" ou "tupiniquim", acho de uma caipirice... rárárá! (brincadeira a última frase....) E de alguma forma me incomodo c/ "paraíba" ou "baiano". Acho, enfim, q boa parte do uso dessas expressões é questão de contexto. Hay q ser politicamente correcto sin perder la espontanidad jamás. (é assim q se escreve?) Bj.

Lord Broken Pottery disse...

Sibila,
Você resumiu bem, no fundo querem tirar nossa espontaneidade, inventaram uma camisa de força para constranger nossa maneira de falar.
Beijão

valter ferraz disse...

Lord, acho que devop me calar. Falar, parodiando Guiimarães Rosa, pode ser muito perigoso.
Mas antes só mais umas palavrinhas: nunca me policiei na hora de dizer negão. Não trocaria por pretão ou coisa assim. Isso tudo é conversa mole prá boi dormir.
Agora sim, um túmulo!

valter ferraz disse...

Sibila, tô com saudades de vc, menina!
Me riscou do caderninho? Magoei.
Beijo grande para vc

denise disse...

Ha, há, ninguém merece. Ótimo post, mas confesso que acho tudo isso uma enorme hipocrisia.
Bem, obrigada por se propor a ajudar lá no projeto de leitura. Você pode comentar os trabalhos dos alunos, incentivando e até criticando (positivamente,é claro). Isto os fará mais motivados a escrever melhor, ao saber que há leitores, entende? Há também uma página "Venha participar", feita especialmente para os visitantes e amigos que desejarem ler um texto que é colocado lá, e, nos comentários, dar sua opinião, sua reflexão sobre o texto, exatamente como se estivéssemos em uma roda de leitura discutindo e conversando sobre o texto. Ou pode fazer uma produção sua sobre o tema do texto apresentado, ok. Vai ser divertido, hehe.
abraço, garoto

Lord Broken Pottery disse...

Valter,
Eu também me recuso a aposentar o negão, até por usar para brancos, negros, amarelos e vermelhos indiscriminadamente. Como tenho memória péssima para nomes, é o recurso de tratamento que uso para muita gente, chamo todo mundo de negão. E aí, negão, tudo bem?
Abraço

Denise,
Conte comigo, vou gostar de participar.
Abraço

franka disse...

hahaha.
eu também dou altos foras.

Lord Broken Pottery disse...

Lucia,
Quem não dá?
Beijão

anna disse...

com certeza, por não sofrer nenhum dos preconceito citados, somente o de ser mulher e divorciada, acho tudo uma questão semântica, pois a discriminação habita no interior da gente. mas, tem estudiosos no assunto que dizem que começar "por fora mesmo", como instituir o dia da consciência negra, pode gerar mudanças internas. desejo sinceramente que sim.
há casos mais marginais como dos transexuais, dos drag's, que muitas vezes só conseguem trabalho na noite, pois quem empregaria um homem com peitos, ou uma mulher exageradamente produzida para atender numa papelaria? quem?

Lord Broken Pottery disse...

Anna,
Sou contra todo e qualquer tipo de preconceito. Considero interferência produzir um manual, como tentaram, querendo proibir certos termos de serem usados.
Beijão

O Meu Jeito de Ser disse...

Pois é Lord, agora dizem que estamos na melhor idade né?
Como se dizer que estamos ficando velhos fosse algum pecado.
O preconceito está em muitas atitudes, e não em simples palavras,muitas vezes inocentes.
Um beijo

Vivien disse...

Lord, acho que vou assinar embaixo do comentário da Sibila.;0)
beijos.

peri s.c. disse...

Lord, lembra da editora do pessoal do Pasquim? A CODECRI, que pouca gente sabia que significava Comitê de Defesa do Crioléu ? Hoje não poderia existir com esse nome ....

valter ferraz disse...

Peri, ficaria Codeafrodesc, menos sonoro porém ecologicamente corretíssimo.

Anne disse...

hahahahaha
cara, adorei!
me conta que expressão devo ensinar as pessoas que me chamam de branquela magricela hahahaha
Essa eu quase enfartei rindo "Branca de Neve e os Sete Portadores de Nanismo" hihihihih
tenha um ótimo dia, bjo bjo

Lord Broken Pottery disse...

Aninha,
Na melhor idade, terceira idade, ninguém chama ninguém de velhinho.
Beijão

Vivien,
A Sibila sabe das coisas.
Beijão

Peri,
Não sabia do CODECRI. Essa turma do Pasquim não valia nada, né?
Abração

Valter,
Afro-descendente não orna com nenhuma palavra.
Abração

Anne,
Branquela magricela? Quem sabe nórdica-descendente desnutrida.
Abração