sexta-feira, maio 18, 2007

Well-done Translations

Gosto quando um comentário de uma postagem me faz pensar.
Trocando impressões com o amigo Eduardo, do Varal de Idéias, sobre a qualidade literária de Paulo Coelho, entrei em um desses estados, muito próximo da loucura, que às vezes me acomete. Nesses momentos mergulho dentro de mim mesmo, esqueço o mundo ao redor e, em espécie de transe que não entendo, e portanto não consigo explicar, viajo pelo insondável de meu próprio raciocínio, a imaginação correndo louca atrás de um norte.
Antes de tudo preciso revelar que nunca li Paulo Coelho. Refreio aqui a afirmação de não pretender lê-lo para não parecer arrogante. Sei ser essa declaração quase obrigatória quando se trata do Mago. Todo intelectual que se preza evidencia não conhecer e não ter planos de entrar em contato com a obra dele. Pega bem. Parece-me, porém, pouco polido.
Li, alguém me disse, não sei direito de onde tirei essa revelação, que o autor de O Alquimista é melhor no exterior. Como assim? Calma. Dizem que as traduções da obra dele seriam tão bem feitas que tornariam o produto final melhor que o original. Possível? Particularmente acho viável, mas gostaria de ouvir outras opiniões. Outra coisa: é certo fazer isso? Ou seja, é correto melhorar um texto ao traduzí-lo a ponto de torná-lo melhor? Não haveria interferência demais. Penso, penso, não consigo concluir.

37 comentários:

Vivien disse...

Taí uma questão. acho que sim, pensando que o tratamento dado ao texto pode ser melhor, o texto pode ser melhorado ( ou estraçalhado) pelo tradutor.
Eu li Paulo Coelho e não gostei. Simpatizo com ele, gosto de ver entrevistas, coisa e tal. Mas eu li ( mais de um ) porque não sou adepta do "não li e não gostei".
Achei chato,tolo, superficial.

valter ferraz disse...

Lord, no meu entender uma tradução bem feita é o mínimo que podemos esperar. Agora um dilema: teria o tradutor poder (intelectual ou ético) para mexer no texto a ponto de melhorá-lo? Mais uma: até que ponto é ético fazer isso?
Paulo Coelho querendo os intectuais(quem seriam esses mesmo?) ou não é um fenômeno de vendas. O Eduardo perguntou-me há pouco se O Caçador de Pipas era "tudo isso mesmo". Respondí que o único "defeito" é ter vendido demais. Tem isso. Quando um autor vende de mais, acaba gerando uma certa aversão. Acho que ocorre algo parecido com o mago em questão.
Lí uns dois livros dele. Inofensivos como placebos. Tá aí: um placebo editorial.
Abraço grande

Anônimo disse...

Lord,

Se os tradutores "podem" piorar as obras, como nós mesmos concluímos em nossa conversa sobre o Harry Potter, por que não poderiam melhorá-las?

Nem sei se é o caso no Paulo Coelho, também nunca o li (já tem uma pilha muito grande em minha cabeceira para eu me aventurar por incertezas), mas considero válido que o tradutor possa fazer bem o seu trabalho e, eventualmente, também o de autor. Afinal, não é a toa que os nomes dos tradutores aparecem sempre em destaque no início ou mesmo nas capas dos livros. Eles desempenham um papel muito mais importante do que um desavisado poderia imaginar e devem levar o ônus ou o bônus.

Um abraço,

Fabiano

Alena disse...

Olha, eu já li o mago (portanto não sou intelectual?!).
Quando eu era adolescente, li um livro dele, O Alquimista. Com 17 anos, gostei. Depois fui lendo outro r outro e outro. Até que chegeui à conclusão de que era tudo a mesma coisa e óbvio demais. Hoje não penso em ler mais nada dele. Virou sinônimo de perder tempo. Há tanto livro excelente que ainda não li!

O Meu Jeito de Ser disse...

Lord, já li Paulo Coelho.
O que li gostei.
Tudo isso é uma questão de exigências, eu acho.
Num dado momento o que leio dele ou de qualquer outro me cai bem, outras, é detestável.
Veja bem. Tem pessoas que lê o que escrevo, e gosta. Jamais teria a pretensão de me comparar à ele, ou à você meu nobre e gentil amigo. Conheço bem minhas limitações e meu lugar.
Não saberia te responder se a tradução é melhor ou pior, o que sei,é que sempre tem alguém que goste
O fazer pensar é legal. Lembra-se quando fiz um post em cima de um comentário seu num dos meus posts?
Pois é, hoje fiz outro, porque posts lidos me fizeram pensar. Inclusive um dos seus.
Um beijo

Meg disse...

Lord, mylord
tenho sentido sua falta.
Não diga que sentiu a minha, que eu não vou acreditar.
Estou com gripe, portanto não devo ser contrariada;-)))
Olhe, eu quero mesmo dizer é que vou aproveitar este final de semana para comentar o belo scherzo que vc fez no post abaixo.

Mas, como só se deve deixar mensagens importagens no último post, estou escrevendo aqui.
===
Bem, agora vamos lá para a questão do Paulo Coelho que me parece ser mais *fácil-difícil* de ser comentada;
Olhe só ele vende em praticamente todo o mundo até no Kasaquistão do Borat. Aí não sei...

Mas em países como a França e os Estados Unidos, eu tenho uma tese, precária como qualquer uma pode ser: eu acho que ele faz um sucesso enorme e merecido,pois em países de cultura solidificada, muito intelectualizada, industrializada, tecnologicamente avançada, as pessoas precisam ou acham que precisam de livros, idéias , enfim, que ponham em relevo, algo que chamamos de PENSAMENTO MÁGICO ou pensamento mítico.

O pensamento que o Paulo Coelho utiliza em seus livros, é um pensamento quase infantilizado, que diz: se vc crê no pensamento então consegue tudo, vc até consegue fazer chover etc e talz.
Nos Estados Unidos a mesma coisa. Um dia li que a Madonna (não riam, ela é uma mulher inteligente, sim, senhor(es)- ) tinha o Paulo Coelho como um dos seus autores de cabeceira. Boquiabri-me e boquifechei-me logo em seguida e compreendi a charada;
Os ingredientes de um livro do Paulo Coelho mexem com algo tão diferente da sociedade onde predominam as máquinas, onde a relação com o meio é hostil. Onde tudo é robotizado. Até os filmes estão se voltando para esse tema, Já viram "O grande truque" e O Ilusionista?
Pois vejam, recomendo, para se entender isso.

Então, para agora arrematar:
Valter e Lord: sim, claro que o tradutor (e não vou falar aquele batido lema: taduttore, tradittore, tradutor, traidor) deve dar o melhor de si na forma e até mesmo corrigir erros, ou ainda, há línguas, idiomas em que os erros nem sequer aparecem, se é que ele escreve com erros, não sei.) O que um tradutor não pode é mexer na essência do pensamento do autor que ele está traduzindo.

E então, voltamos à conclusão da tese: quanto mais a ciência e a tecnologia se especializam, se sofisticam, mais elas se aproximam direta ou indiretamente da magia.
O que vemos a ciência e a tecnologia fazer... digamos na Biologia (Viagra) na Tecnologia (Animação eletrônica) *SÓ PARA CITAR UM EXEMPLO DE CADA*) nos deixa maravilhados, nos deixa com a sensação de que tudo é possível.
Ou seja deixa as pessoas acreditando que tudo é possível e que o HOMEM é realmente um deus dentro de si mesmo, e cada um tudo pode.

E para sustentar minha tese: de onde é que vêm os livros mais conhecidos de auto-ajufda?
Oh! yeahhhh!.Exatamente.
Então o Paul Rabbit vende e continuará vendendo enquanto alguém se dispuser a crer no pensamento mágico. Talo como a Magia já foi antes a Religião de todo grupo social.
Não é isso que diz a Antropologia?
Bom, não quero me tornar a mamãe sabe-tudo;-), mas acho que as forças do meu pensamento forjaram essa tese, enquanto eu adormecia, e vc, caro Lord e mais o Valter vão mostrar para todo mundo. Vou me transformar numa célebre e festejada crítica literária, e vou ganhar a vida dando conferências sobre..quem mesmo? ah! sim, o Paulo Coelho;sua vida, digo, suas vendas e suas obras;-)
O que acha?
Não ache nada anets de receber o meu beijo de amiga.
Meguita
P.S Bom fim de semana.

Anunciação disse...

Eu gostei.O primeiro não foi comprado;tive medo de gastar dinheiro à toa e ser uma porcaria como via os críticos dizerem ou insinuarem com suas teses meio tortas.Quando encontrei uma criatura(não me lembro quem)que me emprestou um,não cair estatelada de ojeriza,nem fiquei deslumbrada.Mas gostei bastante.Se bem que,como você já sabe,eu não seja nem um pouco confiável nesse assunto.

Anunciação disse...

Não considere o "r" de caí.

adelaide amorim disse...

Magia, ocultismo, bruxaria e quejandos sempre fizeram sucesso e devem continuar a fazer enquanto houver gente sobre a terra.

Mutatis mutandis, acredito que o fundamento disso é o mesmo que explica o sucesso e a permanência das religiões. As pessoas têm uma veia aberta para receber sugestões e adoram ilusões tipo mentiras sinceras. Fácil de explicar, levando em conta a carga pesada que é a vida. Não tenho nada contra as crenças em geral, contanto que não me venham cobrar dízimos.

PC não cobra dízimos, porque descobriu uma fórmula mais eficiente do que abrir uma igreja. Tentei ler um livro dele uma vez, achei um saco e parei no primeiro capítulo.

Para dizer a verdade, não creio muito que as traduções sejam responsáveis pelo sucesso dele lá fora. Por mais perfeitas que possam ser, não acredito que tenham acrescentado ou modificado o texto original, porque em geral os profissionais do ramo seguem um padrão ético.

Quem sabe não está na hora de se fazer um levantamento de dados e desenvolver uma pesquisa sobre o tema? Vai dar um trabalho danado, além de precisar de uma equipe internacional. A primeira questão é saber o porquê do sucesso do indivíduo com aquele tipo de texto. A segunda seria descobrir o perfil médio dos leitores dele.

Desculpe falar tanto logo na primeira visita.

Um abraço, Lord.

Eduardo P.L. disse...

Eu ia falar, (escrever) mas depois de tantos comentários de gente, de muito mais saber e cultura que a minha, calo-me, e recolho-me à insignificância, de um não leitor do Paulo.
Bom fim de semana!
PS- ....melhor não dizer!...

valter ferraz disse...

Lord, ouvindo a Meg falar e não mouso interromper. Dá até gosto de participar, não?
Aprendo sempre, de uma maneira ou de outra.
Bom tema, todo mundo participa.
Abraços

GUGA ALAYON disse...

Paulo quem?
Tem um, numa novela nova da Grobo, que precisa de uma uma pílulas de simancol do São Galvão, ou ler de novo O Alquimista.

Mani disse...

Nunca havia pensado nisso...Quer dizer, na hipótese de que as obras traduzidas foram na verdade obras melhoradas, e daí tanto reconhecimento no exterior. Eu li Paulo Coelho, há muitos anos atrás. E ele atinge um certo pensamento juvenil ou adolescente, nada mais. Talvez, ele faça sucesso lá fora, porque, ao contrário do que pensam os brasileiros, os estrangeiros que admiram Paulo Coelho sejam tão rasos quanto os livros do autor.

Lord Broken Pottery disse...

Vivien,
Acho que existem quatro posições distintas: os que leram e gostaram; os que leram e não gostaram; os que não leram e não gostaram (a maioria); os que não leram e gostaram (acho que somente eu). A minha posição deve-se ao fato de achar que é bom existir um escritor que atraia o grande público. Talvez venham a gostar de ler atravez dele.
Beijo

Valter,
Tenho basicamente as mesmas dúvidas que você. Essa questão ética me parece importante. Seria ético melhorar uma obra? Não acho que seja uma questão ética. Você começa tirando os ecos, corrigindo estruturas, melhorando o jeito das idéias serem colocadas, encurtando as frases, quando vê tornou o texto melhor. Será que isso não é feito de forma automática. Me parece que a maior parte dos revisores que trabalham nas editoras fazem isso automaticamente. E quando a obra cai na mão de um grande escritor que vai traduzir um escritor menor? Dizem que o Mark Twain deixou traduções belíssimas. Sem dúvida era melhor que muita gente que traduziu. Há muito pano pra manga nessa discussão. Outra coisa, vender muito não necessariamente é falta de qualidade.
Grande abraço

Fabiano,
Concordo com o que disse. Dizem que o José Paulo Paes, que você conheceu tão bem quanto eu, de saudosa memória, deixava melhores os poemas que traduzia. Isso para mim é mágico. Como é que um sujeito consegue traduzir um poema. Você consegue imaginar uma tradução de Fernando Pessoa. Para mim é um mistério.
Grande abraço

Alena,
Considero você uma intelectual, sim. É só ir lá no A Vida em Palavras (ótimo nome, por sinal) e ver o nível do que você escreve. A questão que para mim é importante, e que você talvez, com conhecimento de causa, possa ajudar a responder, é se ler Paulo Coelho ajuda ao fulano a gostar de ler. Sempre defendi essa idéia, de que muitas vezes iniciamos lendo coisas de menor gabarito e depois acabamos evoluindo. Daí, muitas vezes, a importância de autores menores, capazes de nos agarrar num primeiro estágio. Num determinado momento você conclui que continuar lendo o Mago não valia à pena, considerou-o supérfluo, evidentemente tinha atingido um estágio em que precisava de textos melhores. E aí, ele ajudou?

Aninha,
Você é muito modesta. Ainda não fui te visitar hoje mas irei, com calma. Gostaria de que você soubesse que a qualidade do que você escreve é muito grande. Está baseada em uma inteligência enorme, em muita sensibilidade, num percepção quase mágica. Aprendo sempre muito com você e gosto da maneira como você diz o que sente. Você tem razão, ler depende muito de estado de espírito. Não lemos sempre do mesmo jeito e isso é importante que seja tomado como premissa. Se ampliarmos essa variação para períodos mais largos talvez consigamos explicar muitas coisas.
Grande beijo

Meg,
Senti sua falta, sim. Não acredito que deva omitir isso só por você estar gripada (estimo as melhoras, viu?). Será que eu mereço um comentário especial seu?
A idéia de que os países do primeiro mundo necessitam de um pensamento mágico é para mim uma revelação. Além de concordar inteiramente com ela, me ajuda a explicar muita coisa, a entender. Quanto ao tradutor alterar o pensamento do que foi escrito aí seria, literalmente, outra história.
Está lançada a nova crítica literária. Não tem pra ninguém, depois do Antônio Cândido, a melhor que já escreveu sobre livros.
Bom final de semana para você também.
Beijo

Anunciação,
Você é outra que teima em ser modesta. A pergunta que eu insisto em fazer aos que gostaram., a dúvida que me persegue, é se ajudou a ler coisas melhores.
Beijão

Adelaide,
Adorei a sua visita e retribuirei em breve. A questão da fórmula, que não discutimos, mereceria ser abordada também. Você coloca muito bem essa dúvia. Teria o Mago encontrado uma fórmula, um jeito de agradar aos leitores menos exigentes? É, realmente, para ser estudado. Mereceria uma tese, como você defende. Volto à questão ética para reafirmar que desde que não modifiquemos a idéia central do texto, melhorá-lo não fere regras de bom comportamento editorial na minha opinião. Mas é claro que é uma questão bastante discutível.
Grande beijo e obrigado pelo carinho

Eduardo,
Sua contribuição é sempre importante e benvinda.
Grande abraço

Valter,
Ela tem um fã-clube do qual ambos fazemos parte.
Abração

Guga,
É, parece que tem. Estão apelando para a fórmula usada nos livros para ver se dá certo.
Abração

Mani,
Não acho, sinceramente, que os leitores lá de fora do Paulo Coelho sejam rasos. Quando ouvi à respeito de as traduções dele melhorarem o texto fiquei encafifado. Será? De qualquer forma, conforme dissemos antes, talvez o assunto interesse a quem já atingiu um nível de vida mais abastado.
Beijão

peri s.c. disse...

-Primeiro Testemunho: sobre o sucesso de PC no exterior. Quase fui atropelado por ele em Firenze.
Seu rosto enorme estava num cartaz enorme, na lateral enorme, de um ônibus vermelho enorme, no apertado centro histórico da enormemente bela cidade Toscana.
Nosso tostines literário estava nos cartazes porque vendia bem ou vendia bem porque estava nos cartazes?

Na minha periscópica visão, o enigma aqui discutido foi desvendado, pela Meg: a razão é... magia. Aliás, como Harry Potter ( que claro é de outro departamento escritológico, inúmeros andares acima, quase lá na presidência, mas do mesmo prédio ).
Quem lê e compra PCoelho está pouco se lixando se ele escreve bem. Estão atrás das magias e da verdadeira "enciclopédia-patchwork" de pensamentos filosoficos, esoterismos e arredores, preferencialmente de vetustas culturas.

-Coffee-brake : curiosa esta questão dos tradutores melhorarem o texto. Quer dizer que aqui vende porque o povo é inculto e aceita qualquer coisa, lá fora o povo é culto tem que melhorar para vender. Nada a ver, os kikos-marinhos foram um sucesso também na Europa. Hip-hop também é. Rocky, o lutador 1,2,3,4,..27 também são best-seller naquelas velhas e impolutas culturas.
( hooligans não leem Calvino )

- Segundo ( mágico e histórico ) Testemunho : confesso, sou um dos primeiros leitores de PC. Estava no começo de madrugada de uma sexta-feira, no século passado, zapeando a tv, e peguei o começo de um programa de entrevistas da Beliza Ribeiro( aquela uma, que sumiu graças ao Collor,era sua assessora de imprensa, mas não sumiu porque é mão do Gabriel o pensador ). Ela anunciava seu convidado, qualquer coisa assim: " E hoje estará conosco Paulo Coelho. Quem não se lembra ele era parceiro de Raul Seixas, e está lançando um livro, O Diário de um Mago. Hoje ele diz que é um mago e o livro é sobre como encontrou sua espada mágica... blá, blá" A imagem é cortada para ele, que aparece envolto numa enorme capa preta, com um olhar enigmático e com a espada à sua frente, apoiada numa mesa. Fãzaço dos dois malucos, quase pulei da poltrona, pensando, " putz, o cara enloqueceu de vez ". Fim da entrevista, me convenci: o cara enloqueceu. Não eram assuntos tradicionalmente tratados de forma aberta, eram exclusividade de grupos fechados e envoltos em mistérios. Falou na maior calma do Caminho de San Thiago ( hoje outro best-seller )e de seus poderes mágicos. Na 2ª feira fui à livraria procurar o livro. Os vendedores eram tão desinformados como são hoje, mas mais solicitos, iriam contatar sua central, providenciar o livro e me avisar, assim que disponível. Dito e feito. O Diário de um Mago, o mais interessante e curiosamente o menos vendido livro dele, porque um pouco hard-core para o gosto médio, explica de certa forma o sucesso que veio depois. Está lá exatamente o que a Meg levantou. A busca da magia.
Edulcorada nos livros posteriores.
Li O Alquimista , estranhei e pensei, isso aqui podia ser resumido a umas dez páginas, e esta história , ora, já conheço. Li um dos outros, que não lembro o título, definitivamente não era mais minha praia e achei melhor deixar Paulo Coelho morando sossegado em seu castelo francês. Acho que merece.

valter ferraz disse...

Lord, acho que o Peri desvendou Paulo Coelho. Ele e a Meg fortam na direção certa.
Só mais uma coisa: não penso que o fato do cara vender muito seja negativo. O que eu acho é que o geral das pessoas mais !"intelectualizadas" pensam assim. Se vendeu muito é porque é popular, então gênero menor. É mais ou menos isso.
Abração

GUGA ALAYON disse...

belos posta da Meg e do peri,

O Meu Jeito de Ser disse...

Lord meu amigo, não se trata de modéstia não, aliás taí uma coisa que não gosto. Acho modéstia uma mentira.
Apenas sei do meu "potencial",e nãome envergonho disso.
Agora respondendo à sua pergunta:
Eu acho sim, que ler qualquer porcaria, para depois ir tomando gosto e aprimorando no que realmente vale a pena, leva as pessoas a gostar de ler. A fazer da leitura algo importante.
Eu até te pergunto: Quantas mulheres hoje que se orgulham de ser "intelectualizadas" nunca leram na infância ou adolescência uma fotonovela em quadrinhos?
E te digo mais, conheci outras, qe diante de outras pessoas se envergonham, mas por baixo do pano,mesmo "ditas intelectuais", continuam lendo revistinhas de fofocas da vida de artistas.
Ah! tem caso de homens também viu?
Camaleões!
Um beijo.

Lord Broken Pottery disse...

Peri,
Matou a pau! Acho, porém, que a questão da tradução transcende nossa discussão paulo-coelheana. A dúvida é se um texto pode e se é ético, certo, aconselhável, etc., melhorar-se o que se está passando para outra língua. De minha parte acho que é natural, acontece. Só não pode é mudar a idéia original.
Boa lembrança a da Belisa Ribeiro, collorida mãe do Gabriel.
Grande abraço

Valter,
Concordo com você. Gente muito intelectualizada prefere ter um gosto afastado do popular. É o que os distingüe.
Abração

Guga,
TAmbém achei. Muito.
Abraço

Aninha,
Eu também conheço. Chegam mais cedo em suas consultas médicas para lerem a Caras em sossego. Homens e mulheres, sem distinção.
Beijão

Claudio Costa disse...

Já li Paulo Coelho e "gostei-desgostei". Não me empolgou vez alguma: uma leitura fácil, ordem direta, às vezes de enredo previsível, magia e superstição... diverte ou entedia, depende da hora e do leitor (ou do se passa com o leitor). Não existe "música de elevador"? Não existe "revista de sala-de-espera"? Pois existe Paulo Coelho e quejandos.

Serbão disse...

eu ia falar aqui sobre o Paul Rabbitt, mas o Valter já decretou - placebo literário.
é isso aí.
eu prefiro as músicas que ele fazia com o Raul...

Adelino disse...

Lord, não sou muito de ler livros de ficção. Prefiro depoimentos, algumas biografias, fatos reais.
Do Paulo Coelho, uma vez tentei ler o Alquimista para ver o que tinha de extraordinário. Parei lá pela décima página. Às vezes leio trechos isolados que são publicados na Revista Domingo, de O Globo. Fábulas curtas.

Vi, entretanto, uma interessante entrevista com ele, na qual fala do seu sucesso. Disse que gosta de escrever simples, para que todo mundo entenda, e que se quisesse escrever difícil, um livro para ninbuém entender nada,fá-lo-ia em apenas uma semana.
Grande abraço

Silvares disse...

Um dia destes fui à Biblioteca pública procurar 1984, de George Orwell. Na prateleira havia várias edições e resolvi comparar duas delas. Logo na 1ª página, a célebre frase "Big Brother is watching you." estava traduzida por "O Grande Irmão está a ver-te." e, na outra edição, por "O Grande Irmão vela por ti." A ideia base do livr aparecia-me, assim, com dois sentidos que não me pareceram idênticos. Fiquei a pensar que ler uma ou outra não seria exactamente a mesma coisa. Não podia ser! O melhor seria eu conhecer suficientemente a língua inglesa para poder ler o original. Mas, como o meu inglês é bastante rudimentar, retirei uma ao acaso.
Já tinha lido o livro na minha adolescência. Seja como for ou qual for a tradução, continua a ser um grande livro!

anna v. disse...

Sem entrar na questão do Paulo Coelho, e me atendo ao tópico da tradução: acho errado que a tradução tente ou pretenda "melhorar" um texto. Para mim, trata-se de falsidade ideológica. Se o autor escreve mal em sua língua original, dever ser fielmente traduzido. Se ele é confuso na exposição de idéias, é assim que deve ser a tradução. Caso contrário, o leitor estará comprando gato por lebre (ou lebre por gato, sei lá). E é por essas e outras que tradução é ao mesmo tempo uma arte e uma ciência. É técnica e ao mesmo tempo é criativa. Além disso, tem tanto tradutor ruim por aí que volta e meia vemos um deles querendo "melhorar" um trecho que na verdade ele entendeu errado e traduziu completamente enganado. O caso citado acima, do Orwell, é exemplar. Não conheço as traduções dos livros do Paulo Coelho, mas posso dizer que o nível dos tradutores brasileiros anda muito baixo. Em parte porque as editoras pagam mal. Em parte porque qualquer um que domina uma língua estrangeira acha que pode traduzir um livro. Não é bem assim.
(Foi mal, comentário gigante!)

Ciça - Égua da Coluna disse...

Bom, se uma traducao pode ser ruim, ela tb pode ser melhor que o original. Mas na minha modesta opiniao a obra como um todo nao se altera. É muito mais gostoso ler um livro no original, mas gostar ou nao dele é independente

peri s.c. disse...

Lord, voltando à questão da tradução:
não creio que nenhum criador goste que alguém queira "melhorar" sua obra. Por pior que seja, é sua obra.
Me irrito quando percebo aquelas ridículas alterações de sentido, normalmente para diminuir a crueza de determinados diálogos, em legandas de filmes.

Lord Broken Pottery disse...

Cláudio,
É isso. Na linha de música de elevador podemos considerá-lo livro de banheiro. Leitura rápida, fácilmente esquecível. Obrigado pela visita que já retribuí. Em seguida estarei linkando você.
Abraço

Serbão,
Apesar de "Eu nasci há 10.000 anos atrás..." ser um erro, né? Queria ver ter nascido há 10.000 anos na frente.
Abração

Adelino,
O que será que ele quis dizer com mais difícil? Se considera mais difícil pior do que já faz dá pra ser em uma semana. Caso ache que o difícil é melhor, precisará de bastante mais tempo.
Grande abraço

Silvares,
O seu exemplo é uma das coisas que me angustiam numa tradução. No caso, velar significaria adiantar uma espécie de morte. Me parece pior, no sentido de emitir juízo. Tendo por preferir a primeira. Observar é mais fiel a "watching". Também teria ficado na dúvida na hora de escolher. Agora que o livro é maravilhoso, e provavelmente difícil de estragar, é verdade irrefutável.
Grande abraço

Anna,
Foi muito bem. Será que se o texto está confuso, alguém que saiba escrever e que esteja traduzindo, automaticamente não irá melhorá-lo? Não sei se podemos considerar no caso falsidade ideológica. Para mim soa mais como querer fazer um serviço bem feito.
Beijo

Ciça,
Concordo com você. Quando a gente escreve é pensando em gente como a gente lendo. Que fale a nossa língua, tenha vivido experiências semelhantes. Passamos ao largo, geralmente, da possibilidade de tradução. Nesse sentido é muito melhor ler no original. Você, que está vivendo na Alemanha, e que imagino dominar bem o idioma, possivelmente tem sorte. Gostaria muito de poder ler os filósofos alemães no original. Dizem que é outra leitura. Tenho também enorme curiosidade de como seria ler meu livro preferido: "A Montanha Mágica", na língua em que foi escrito.
Obrigado pela visita que já retribuí. Logo estarei linkando você.
Beijo

Peri,
Bem lembrado. O caso das legendas em filmes, até por ser mais gritante, também me encomoda. Trocar um fuck you por um dane-se está ficando visível demais.
Abração

peri s.c. disse...

Complementando : se o tradutor pode alterar a obra, quando publicado o livro deveria trazer na capa :
- Escrito por X
- Tradução e melhoria por Y

gostaria de ver o que aconteceria no mercado editorial...

Lord Broken Pottery disse...

Peri,
Aí ia querer dividir direito autoral, considerar-se co-autor, ia dar muita confusão. Melhor deixar quieto.
Abração

peri s.c. disse...

Lord, ah, ah , sobre sua resposta ao Serbão: creio que seria perfeitamente possível que Raul Seixas e Paulo Coelho, em suas áureas e mais delirantes épocas, tivessem nascido 10.000 anos à frente .

Lord Broken Pottery disse...

Peri,
Aliás ele anda, conforme li hoje no blog póstumo dele, conversando com o Maluco Beleza. Vale à pena ir lá conferir.
Abração

Maria Helena disse...

Eu também não gosto do Paulo Coelho, o sotaque, aquele tom arrogante, tudo nele me irrita, mas...para você obter uma resposta à essa busca de opinião, o caminho
será sacrificado, terá que se despir de todo o preconceito e ler o tão polêmico mago.

Lord Broken Pottery disse...

Maria Helena,
Você tem razão, será muito difícil que eu consiga ler Paulo Coelho. Obrigado pela visita e estarei colocando aqui um link para o seu blog.
Beijo

Maria Helena disse...

Lord,obrigado.
O meu blog é apenas um diário mofado, sem pretensão.
Adoro ler os seus textos, são lindos,interessantes e mais, tem movimento. A gente não imagina a cena, a gente vê.

Lord Broken Pottery disse...

Maria Helena,
Só hoje vi o seu comentário tão gentil. Esse contato sempre gratificante que os blogs nos proporcionam é que motivam a gente.
Obrigado.
Beijo

marilia disse...

Eu já li Paulo coelho. eu gostei do alquimista e não me envergonho em dizer isso...
Mas tb foi só...parei ai, num dei conta do resto, como dizia minha avó: - impliquei..rsss
mas, como não faço parte da elite intelectual dessa minha BH, apesar de conhecer e conviver com alguns, posso dizer o que quiser...rsss
mas acho sim, que algumas traduções melhoram o sentido ou pioram de uma frase, e acho isso muito serio.
Talvez essa seja a expplicação para o sucesso do Mago??...

Lord Broken Pottery disse...

Marília,
Pois é. É justamente a questão que me domina.
Beijão