quinta-feira, outubro 26, 2006

Football

Eu era menino e passava férias em Itanhaém na época da Copa do Mundo da Inglaterra. Ganháramos o primeiro jogo contra a Bulgária por dois a zero, gols de Pelé e Garrincha. Depois demos vexame perdendo para a Hungria. Chegamos ao último jogo da fase eliminatória precisando vencer.
Lembro bem do dia 19 de julho de 1966. Grudado no radinho de pilha imaginava as jogadas daquele jogo difícil. Fiori Gigliotti insistia: O Tempo passa torcida brasileira! Portugal nos dava um suadouro e o zaqueiro Vicente derrubava o Rei sempre que ele tocava na bola. Através do locutor sentíamos a revolta que a violência desperta. Jamais um jogador apanhara tanto. Naquela época não havia substituições. Caçado em campo, Pelé chegou ao segundo tempo mancando, mal conseguindo andar, sem a menor condição. Torcedor fanático do Santos, eu não conseguia entender por que não colocavam o Edu, jogador de dezesseis anos, o mais jovem convocado, craquíssimo do meu time. Feola, meio perdido, escalara o Paraná, ponta-esquerda do São Paulo.
Aquela seria a Copa do Eusébio, que fez dois na partida. Junto com outras feras lusas como: José Augusto, Torres, Jaime Graça e Coluna, acabaram ganhando o jogo, por três a um, com Simões marcando mais um e Rildo fazendo o nosso, de honra. E assim acabou-se a história, fomos despachados para casa.
Poucas vezes uma derrota me doeu tanto. Aos doze anos, ainda não tinha estrutura para agüentar aquela frustração. Chorei muito, inconsolável. Minha tia, impressionada com o descontrole de emoção que via, colocou a mão em minha testa. Percebeu que eu estava com febre, alta. Fui para cama tiritando, infeliz.
Depois vieram outras derrotas. A tragédia de Sarriá em 1982 também foi sofrida. O empate que deu o campeonato ao Botafogo em 1995, com o Marcio Rezende de Freitas roubando o meu Peixe, foi dificílimo de engolir. Nada, porém, me feriu tanto como a Copa de 1966. Foi a primeira vez que chorei por causa do futebol.

2 comentários:

Sidarta disse...

Achei uma tese interessante sobre o Márcio Rezende quando escrevia sobra a libertadores.

http://canais.rpc.com.br/deprimeira/conteudo.phtml?id=514483

A ligação entre a pepsi e os times que o juizão colaborou.

Abraços,

Lord Broken Pottery disse...

Sidarta,
Essa postagem é antiga. Passei no Na Cal para ver. Gostei muito. FArei um link.
Abraço