quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Freshman

Também fui calouro. A experiência foi traumática, não guardo boas recordações dela. Considero a prática de receber alunos novos com trotes humilhante. Sempre fui da paz, não gosto de violência. Quando jovem, bem mais esquentado do que sou hoje, não admitia falta de respeito. Como resultado arrumei confusão em meu primeiro dia de aula. Bati em um veterano, xinguei a mocinha que insistia em me pintar, não houve acordo para que me cortassem os cabelos. Como conseqüencia da valentia exagerada, fiquei meio que proibido de aparecer na PUC. Passei os seis primeiros mêses do curso me escondendo. O maior prejudicado, claro, fui eu. Devia ter tido mais jogo de cintura.
Todo ano é a mesma coisa. Jovens inteligentes, recém aprovados no vestibular, felizes da vida, são recebidos por uma turba de veteranos sádicos, loucos para descontar neles as frustrações dos anos letivos. Apanham, machucam-se, correm riscos desnecessários em nome de uma tradição idiota. Muitos perderam a vida com essa prática ignóbil.
As ruas estão cheias. Ontem, caminhando pela avenida Paulista, pude ver no chão cachos de cabelos cortados. Meninos e meninas esmolando dinheiro para suas baladas. Simpáticos. Um clima festivo tomou conta do meu horário de almoço. Apesar de tudo, senti saudade do meu tempo.

2 comentários:

franka disse...

eu achei que maltrataram um pouquinho meu chico sim. nunca entendi qual é exatamente, a graça. maltratar?

Lord Broken Pottery disse...

Franka,
Não há graça em qualquer tipo de maltrato.
Kisses