sexta-feira, julho 27, 2007

Smoke Gets In My Eyes

Desconfio de médicos. Já vi coisas de arrepiar o cabelo, sem entender ou saber explicar, mistérios para minha pobre compreenção. A palavra sedar passou a me assustar. Deveria ter apenas o sentido de acalmar aquilo que estava excitado ou perturbado, mas ganhou significado diferente. Tem para mim propósito de sentença de morte. Pessoas após muito sofrimento são controladas, "desligadas" quimicamente do mundo, depois de concenso médico, e caridosamente encontram "paz", morrendo em poucas horas. Estranho.
Sexta-feira. Entrei no quarto do hospital com medo. Penumbra. Recebera a notícia de que meu pai, finalmente, havia sido internado. Haviam me garantido que seria assim, tudo exato e planejado. Apenas deixaria nossa casa quando estivesse próximo do momento derradeiro. Cuidariam para que não sofresse. Mamãe, sentada em uma cadeira no canto, tinha aparência triste, resignada. Meu irmão em pé, sem saber direito onde colocar as mãos, nariz vermelho, calado. Paredes brancas, enrugadas de gesso. Pedi licença, dirigi-me ao banheiro à direita, aliviei-me longa e demoradamente, sem pressa, nervoso. Voltei e com susto sempre maior, depois de ter evitado ao máximo o contato visual, fixei os olhos no leito. Dormindo, entubado, respirando forte e pausadamente, fazendo ruídos que não mais esqueci, alongava um gesto amplo, mão e braço atuando juntos. Trazia um cigarro imaginário até os lábios, aspirava o sabor fictício tragando com visível deleite, expirava como tantas vezes o vira fazer. A cena inusitada teve efeito esmagador sobre mim. Nunca soube muito bem como lidar com o inesperado, detesto surpresas. Devem ter percebido. Explicaram-me ser aquela espécie de ritual macabro normal. Demonstrava que, mesmo sedado, meu pai sentia falta do vício de tantos anos.
E então a fumaça daqueles cigarros imaginários começaram a dominar o ambiente. A solidão daquele corpo esparramado no colchão, rodeado de aparelhos, cutucou-me nos pontos mais sensíveis. Senti os olhos arranhando, ardendo, garganta inflamada. Pouco consegui enxergar depois. E realmente, como estava determinado, ele não sofreu. No dia seguinte estava morto.

52 comentários:

Alice disse...

Que triste!
Meu pai teve cãncer e morreu pelo cigarro,46 anos.
Não tive coragem de vê-lo em seus últimos momentos,pelo menos ele morreu dormindo''sedado'' sem uti e sem tubos,apenas com um oxigênio.
Tb não sabia desse cigarro imaginário.
Beijos!

Lord Broken Pottery disse...

Alice,
Acho que é a melhor definição para o texto: triste.
Beijo

Anônimo disse...

Querido Lord Caco,
"ele não sofreu".
Você sofre até hoje, escreva ou não. Essa sua-dele amiga também, esteja certo.
Beijo triste
Vivina.

Lord Broken Pottery disse...

Vivina, querida,
Quando escrevo sofro menos. Estou sempre certo do seu carinho.
Beijo

Anônimo disse...

Lord Caco,
pois é, escrever é ajuda, sempre. Outro beijo,
Vivina.

Lord Broken Pottery disse...

Vivina,
Ajuda.
Beijo

Sandra disse...

Meu anjo... Perdi meu pai há pouco mais de 6 meses. Mesma doença em local diferente. Era meu guia, pai, namorado, marido, amigo. Mas está, hoje, livre da dor. E é isso o que mais me alivia e conforta.
E perdi uma tia querida, do mesmo mal de seu pai sem nunca ter colocado um cigarro nos lábios.
Não sei se acredita Nele, mas eu confio que estão todos, hoje, sob Sua proteção. Tristes somos nós que ficamos aqui, nessas prisões que nos designaram...

Não sofra mais do que o necessário e menos que o permitido. A vida é um ciclo e, quem parte, foi por ter cumprido sua parte neste longo trajeto.

Fique em paz.

ery roberto disse...

Lord, compreendo ter sido uma cena duríssima, mas conforta-me a percepção que você é forte o suficiente para relatá-la assim, desta forma tão enternecedora. É a vida e suas facetas. É o caminho e suas estações. Forte abraço.

Anônimo disse...

Lord,

Comovente. Lembro-me bem do dia seguinte ao qual você se refere, uma das primeiras vezes que me vi minha mãe chorar. Na sala de casa, a noite, olhos vermelhos sentada em um degrau no chão do nosso apartamento, sem conseguir esconder a tristeza, enquanto meu pai fazia uma ligação. Sem entender bem, perguntei o que tinha acontecido e ela explicou que um amigo querido estava partindo. Não entendi bem o porquê, mas também fiquei triste com/por ela. Era chegada a hora de aprender a lidar com a perda. Aprendizado difícil, muito, sem apostilas, sem professor, só a prática nos ensina. E nos momentos que mais preciso, desconfio que nunca aprendemos completamente.

Um abraço triste,

Fabiano

Anônimo disse...

Lord Caco, meu amigo,
eu não sabia que esse dia fazia parte do aprendizado de meu filho Tá vendo o que um texto faz? Tanto tempo depois, descobertas de sentimentos abrigados no mais fundo do coração.
Beijo carinhoso da
Vivina.

av disse...

Milord,
Arrepiante e bela descrição. Podia dizer mil coisas mais, mas vou dizer só isto: sei muito bem o que isso é, passei por tudo isso há muito pouco tempo. Mas são lições de vida e felizes daqueles que, apesar de tudo, conseguem exorcizar a dor e transformá-la em arte.
Um beijo especial
Ana

Sibila disse...

Lord,
uma coisa meus pais pediram, cada um em sua hora de ir: queremos passar o máximo do tempo possível em casa. Acho que queriam dizer: o maior tempo possível aconchegados, com os queridos, "em casa", nessa hora que chega talvez sempre tão desaconchegadora. Meu pai q morreu de uma especialidade q conhecia mto ( a sua especiali//), não pediu mto mais do q isso (ele tinha minha mâe ao seu lado o tempo todo). Minha mãe, certa madrugada, em casa, me pediu, por mímica o q entendi ser q não queria sofrer. Aliás esboçou fala nesse sentido depois.
Assim, nos preocupávamos o tempo todo com o fato dela estar sofrendo (digo, dores corporais, q as demais...). Depois de 2 dias sem poder se alimentar, com soro, pedimos q fosse internada e, no hospital, q suavizasem seu sofrimento. Não sei se tarde demais, se, no fundo foi um impiuso de a querer reagindo a algo q não podia, mas tentamos um fim mais parecido com o q ela queria. Isso me descansa a alma. Bjs.
PS: O comentário lá embaixo, embora troncho (vê como sou vaidosa?) é um retrato, um instantâneo de mim. Nada a ocultar. Obrigada por ter me pegado no colo. Bjs again.

adelaide amorim disse...

Não sofrer é uma fábula, querido Lord. Os médicos acreditam nisso. Acham que não sentir dor é não sofrer. Mas há tantos outros tipos de sofrimento além da dor física, outras dores, não é verdade?

PS: Você me perguntou sobre o livro. Se vc for do RIo, deve haver ainda uns exemplares na Leonardo da Vinci, av. Rio Branco 185, subsolo.
Se preferir, me manda um e-mail pra dedaamorimo@gmail.com

Beijos.

denise disse...

Ricardo, não existe isso de "não sofrer", pelo menos não acredito. Mas, você pôde ficar com ele até o fim, e agora, sua lembrança dele é serena, não é? Eu sinto assim, algo sereno, triste, mas silencioso.
abraço,meu garoto

O Meu Jeito de Ser disse...

Lord, o que nos "conforta" de certa forma, é pensarmos que assim podemos não sofrer tanto.
Nda sabemos.
O que temos certeza é do nosso sofrimento nessas perdas, isso é real.
Falra, lembrar, de atitudes, de situações, enfim, trazer de volta a presença deles muitas vezes nos faz bem.
Sofrer com a perda, nem poderia ser diferente.
Por isso, fale, escreva, pense nesse sofrimento.
Não queira ser mais forte do que é.
Tudo isso são formas de aliviar a dor. Não pensar, não chorar, não dar vazão à essa dor, é mais uma vez nos enganar, ou acreditar no não sofrimento.
Sei bem do que vc fala, sei bem o que vc sente.
Um beijo

valter ferraz disse...

Lord,
tanto prá te dizer, quase nada vou conseguir.
Fique com a minha dor de partilhar com você. Meu pai biológico morreu há muitos anos, longe, distante como sempre vivemos um do outro, para mim um desconhecido.
Meu pai adotivo, minha referência como homem de caráter,pura fibra, se foi também distante físicamente de mim.
Um consolo? Ele tentou me avisar que estava partindo.
Dores, todos as temos. O que precisamos é descobrir o mecanismo de como lidar com elas.
Eu, cagão que sou já pedí à Aninha: não me deixe sofrer além do que aguentaria. Ela entendeu.

Abraço apertado, mano

(ps: ainda não foi dessa vez nosso "cafezinho")
A

Claudia Lyra disse...

Hora triste. E é estranho ver que o vício ficou com ele até o fim literalmente. Triste mesmo...

marilia disse...

Lord, que tristeza.
Tenho medo de me imaginar órfã.
Penso que o gesto do seu pai, ao imaginar levar o cigarro aos lábios pode ter sido não um ritual macabro,mas um último momento de prazer...
um grande aperto de mão.
marilia

Silvares disse...

Os meus pêsames Lord.

Lord Broken Pottery disse...

Sandra, querida,
Acho que passei a impressão, na história, que meu pai tinha morrido de câncer no pulmão, foi no fígado, muito rápido. Não falo com orgulho, pelo contrário, gostaria muito de ter fé, só que sou totalmente incrédulo, não tenho religião nenhuma, seria melhor se acreditasse em alguma coisa. Vejo aqueles que crêem com uma pontinha de inveja.
Grande beijo

Ery, meu irmão,
Meu pai morreu já faz muito tempo, há quinze anos. A distância dos acontecementos permitem que eu escreva sobre eles com relativa possibilidade. Emoção demais não é boa companheira dos textos. Esse caminho, essas estações, são facetas da vida que ainda não encaro com naturalidade. A morte para mim é sem explicação.
Grande abraço

Fabiano, querido,
Li seu texto com profunda emoção. Não sei se um dia vou aprender a lidar com esse tipo de perda. Cada pessoa querida que parte, cada impossibilidade futura de contato, deixa marcas profundas, torna a vida, na minha opinião, um pouco menos bonita. É claro que os diversos contatos que temos com a morte nos ensinam alguma coisa, calejam nossos sentidos, preparam a gente para o inexorável, os diversos pontos finais. O mais assustador para mim é saber que depois dessa passagem não há volta, remédio. O fato concreto é que viva o quanto viver, não mais falarei com meu pai, não ouvirei seus conselhos, estarei sozinho. Viver é ter que aceitar que estaremos cada vez mais sozinhos. Não sou de substituir amores. É claro que faço novos, mas não esqueço, e não quero esquecer, os amores antigos.
É muito bom saber que conto com a sua leitura.
Grande abraço

Vivina, querida,
Também achei incrível e fiquei muito feliz. Bom saber de outros aspectos, outras dores, entender que os afetos estão todos interligados, formando uma cadeia de sentimentos. É muito importante para mim ter o Fabiano por aqui. É vital entender até onde o que escrevo pode tocar.
Grande beijo

Ana,
Não sei se consegui exorcizar a dor. O problema com ela é que não tem hora, é totalmente inconveniente, chega quando quer sem ser convidada. Sei, sim, que o tempo é sempre o melhor remédio. Às vezes de forma assustadora. Uma de minhas agonias mais freqüentes é perceber que perco aos poucos a imagem de meu pai. Seus contornos físicos já não são muito claros, aparecem meio sápia. O que vejo corresponde ao passar do dos anos. Meu pai com bigode, sem bigode, gordo, menos gordo, calvo, com mais cabelo, diversos pais. As fases da vida que ele teve. Tenho medo que vire ficção.
Grande beijo

Sibila,
O que aparece no seu retrato é sempre muito bonito. Conte comigo para lembrar você disso sempre que precisar. Não sabia que você já não tinha os pais, acho uma dor cruel demais. Bom saber que você sente alívio, que está em paz com o que foi feito.
Grande beijo

Adelaide,
Concordo com toda a parte relativa a dores. Os médicos pensam muito com o conhecimento e pouco com o coração. São melhores quando deixam de ser deuses, donos da vida e da morte, e tornam-se mais humanos, ouvindo o paciente. Aliás acho que chamar o doente de paciente é ótimo. hä que se ter muita paciência para enfrentar médicos, hospitais e as dores.
Sou aqui de São Paulo (embora carioca), enviarei e-mail para você.
Grande beijo

Denise,
Minhas lembranças ainda não são serenas, carregam emoção demais. Sinto-me parecido demais com ele, cada vez mais, até fisicamente, é como se uma parte minha estivesse faltando.
Grande beijo

Aninha,
Acho que é por aí, sabemos muito pouco. Escrever, de qualquer forma, quando a saudade aperta, é um bom exercício, ajuda.
Hoje lembrei muito de você. Está fazendo muito frio por aqui. Usei o cachecol que ganhei de presente o dia inteiro. O contato com a lã macia no pescoço me fez muito bem, me aqueceu, deixou-me com uma gostosa sensação de aconchego. Queria agradecer mais uma vez. Dá pra sentir na pele o carinho com que foi feito.
Grande beijo

Valter,
Você disse bem. A dor é de quem tem. Precisamos aprender como lidar com ela. Ainda tem muito chão pra que eu me considere razoavelmente preparado. Senti falta do cafezinho. Da próxima vez me avise com antecedência. Quem sabe...
Abraço, mano

Claudia,
Ainda guardo a imagem dele fumando um cigarro fictício no leito. Muito estranho e forte.
Grande beijo

Marília,
Será? O bom, e até certo ponto estranho, é poder estar escrevendo sobre isso quinze anos depois. Engraçado como as imagens fortes às vezes voltam, para nos emocionar.
Grande beijo

Silvares,
Embora o velho tenha partido há quinze anos, foi como me senti escrevendo, de luto. Obrigado.
Grande abraço

O Meu Jeito de Ser disse...

Lord querido amigo. Vejo com clareza os sentimentos que te rodeiam.
Me sinto assim muito parecida fisicamente com minha mãe. Altura, estrutura do corpo, enfim tudo.
Muitas vezes quando me olho no espelho, tenho a impressão de vê-la, de ouvir seu riso maroto tal como era.
Meu pai? a criatura mais carinhosa do mundo, mais sensível, as vezes tenho que parar o que estou fazendo para me lembrar do seu rosto, do seu sorriso, ele ria muito, eu sou assim, estou sempre rindo a toa.
A forma como falava com ele, ele era surdo, então falava lentamente, e ele entendia toas as palavras que eu dizia. Nos entendíamos muito bem.
Fico feliz que o presente está servindo, foi prá isso que fiz, para que fosse útil, me deixa feliz mesmo.
Da próxima vez que subirmos, vamos sim tomar aquele café.
Um beijo.
Fique bem.

Tatiana disse...

ô,meu querido.
um lindo texto triste.

Lord Broken Pottery disse...

Aninha,
Muito bonito ver você falando de sua mãe, de seu pai, mostrando esse carinho todo por eles. Acredito piamente que as pessoas melhores resolvidas, mais humanas, mais de bem com a vida, tiveram ou têm boas relações com os pais. Vou esperar a nova oportunidade para o café.
Beijão

Tatiana,
Obrigado, minha querida. Saiba que seu texto é um dos que mais gosto na blogosfera. Disse isso outro dia num e-mail para Vivien, e é sincero. Você escreve bem, com muita força.
Beijão

Eduardo P.L. disse...

A cena, que de alguma forma, todos nós, um dia vivenciamos, esta descrita com perfeição.Como sempre!

Abraços, sei o que sentiu. Perder pais é muito triste, ainda que seja a ordem natural das coisas!

Anjo Negro disse...

Oi!
Tá, meu texto não enganou, mas como eu disse, eu não sabia o que escrever!
xP
Bem, eu nunca perdi qualquer parente por causa do cigerro. Aliás, ninguém da minha família fuma! Minha mãe, quando jovem, começou fumar junto com minha tia (minha mãe ainda não tinha conhecido meu pai, ou seja, eu ainda não existia), mas elas pararam mais ou menos um mês depois. Sorte que não viciaram.
:}
:*

Lord Broken Pottery disse...

Eduardo,
Taí uma ordem, a natural, que me incomoda. Não consigo achar a morte natural.
Grande abraço, amigo.

Anjo,
Você sabia o que escrever, sim. Mandou bem. Meu pai morreu de câncer no fígado. Acho que não consegui mostrar isso direito no texto.
Grande beijo

denise disse...

Entendo bem isso, dessa parte que falta. Mas é só fisicamente. Dentro de você ele está bem completo.
Paz e muito carinho para você, meu amigo!
abraço, garoto

Lord Broken Pottery disse...

Denise,
Quanto a isso não tenho dúvida. Paz e muito carinho pra você também.
Beijão

Wilian disse...

Meu caro Lord, compreendo a dor q persiste em trazer a sua lembrança momentos tão tristes, mesmo c/o passar dos anos. Não sei bem como lidar c/situações assim e me faltam palavras até mesmo p/comentar seu post. Que vc encontre a cada dia, nos familiares e nos amigos, reais e virtuais, uma alternativa p/aliviar a falta de alguém q ao certo lhe foi especial. Meu abraço e uma boa semana a vc.

cõllybry disse...

Na escrtia a tristeza desvanece um pouco...belo texto...

Doce beijo

Anunciação disse...

Um grande abraço.Da amiga e da médica também que,como muitos outros,sofre sem poder mostrar,luta ingloriamente contra aquela que uma hora ou outra sempre vence.E vive por procurar meios de suavizar a dor se não puder matá-la.

Lord Broken Pottery disse...

Wilian,
Obrigado pelas palavras carinhosas, pelo conforto. Boa semana pra você também.
Abração

Cõllybry,
É por isso que escrevo. Inclusive por saber que é a melhor forma de se exorcizar os fantasmas.
Grande beijo

Anunciação,
Vocês são verdadeiros heróis. Seria impossível para mim conviver tão de perto com a morte. A nossa sorte é que muitos de vocês, fazem desses momentos terríveis uma coisa mais suportável.
Beijão

marilia disse...

Lord, voltei pra lhe dizer que fui casada com medico por muitos anos. eles sempre lidam com a morte de uma forma profissional.
não sei se é dom, ou se eles vão se acostumando com a nossa insignificancia diante do inevitável ao longo da vida hospitalar.
eu nunca consegui achar a morte natural também.perdas me entristece muito. mortes me deixam pior.
mas uma coisa é certa. vc foi contuntende e desesperador na narrativa da morte. assustador, e perofundamente triste.
um abraço.

Mauro Castro disse...

Duro de gripe, tentando retribuir os gentis comentários lá no Taxitramas.
Há braços!!

Alena disse...

Para ser belo há que ser triste... Nossa!
Eu julgo mesmo a morte natural. Falência pura. Desligamento. Prazo de validade.
Isso não significa que não tenha sofrido estupefacta a morte de meu pai. A morte de minha mãe.
Morremos todos quando os nossos morrem. E não é um pouco não. É um 'tantão'.
Às vezes, as palavras conseguem dizer a morte. Você falou. E bem.

Eduardo P.L. disse...

Lord, mas é, a morte é absoluta natural, uma vez prevista pela natureza das coisas. Perder filhos, é que não é natural. E uma experiência dramática e não desejavel para ninguém!

Boa semana de frio em S.Paulo.

Lord Broken Pottery disse...

Marília,
Acho que fui injusto com os médicos, até por ter generalizado. O que me incomoda neles é justamente essa aparente frieza que têm que demonstrar. Muitos são humanos e nos fazem um pouco melhor preparados para a tragédia que é a dor.
Beijão

Mauro,
Tenho ouvido falar do frio intenso que tem feito aí em Porto Alegre. Tiro pelo o que temos sentido aqui em São Paulo. Se cuida, garoto. Grande abraço

Alena,
Há para mim uma separação bem distinta entre o emocional e a razão. É claro que racionalmente considero a morte natural. Tudo na vida, até mesmo as coisas, ficam velhas, estragam, são jogadas fora. Emocionalmente, porém, o buraco é mais em baixo. Sou muito pouco conformado com a finitude das pessoas, e principalmente com a minha.
Beijão

Eduardo,
Entendo o sou raciocínio, ele vem da razão. O meu problema é que emocionalmente não vejo assim. Como foi de manifestação?
Abraço

james disse...

Texto belíssimo.

Um abraço.

Saramar disse...

Lorde, como escreveu um amigo...
"eu morri, ele vive".

Creio que um pedaço da nossa alma morre quando perdemos alguém querido. E este fica sempre, para sempre vivo em nossa mente.

Eu senti a tristeza que você descreve de forma tão parecida, exceto a pungência desse cigarro imaginário.
Sofri como sofreu e é tão recente que agora, chorei um pouco, perdão.

beijos, boa semana.

marilia disse...

Lord1 veja que sucesso foi o protesto lá no blog do eduardo...
bjos e boa semana!

Lord Broken Pottery disse...

Marilia,
Irei lá ver. Fico feliz pelo sucesso apesar do frio intenso, garoa, tempo lastimável.
Grande beijo

Ricardo Rayol disse...

Bárbaro!

Anônimo disse...

lord, não sei se o texto é real ou recente.
de qq maneira senti e não tenho nada a dizer.
somente o desejo de te dar um abraço.

anna

Lord Broken Pottery disse...

Ricardo,
Obrigado e grande abraço!

Anna,
O texto é real e recente, no sentido que escrevi no dia em que postei. Os fatos são antigos. Meu pai faleceu em 20 de março de 1992. Obrigado pelo abraço.
Beijo

Adriana disse...

Lord, deixo aqui um pedaço de um post que tenho...talvez nao alivia a dor da perda,mAs reconforta

A vida é um reencontro.
É uma viagem conjunta, na qual buscamos sentimentos, experiências e pessoas.
A morte é como um veleiro, que parte, levando amor, lembranças,experiências...


Mas, embora tenha cruzado a linha do horizonte, não se foi.


Apenas o perdemos de vista.
beijinhos carinhosos cheios de energia positiva do outro lado do oceano

Lord Broken Pottery disse...

Adriana,
Obrigado pelas palavras e pelo carinho.
Grande beijo

Meg (sub Rosa) disse...

Oh Lord!
Oh milord!
sinto tanto como se tivesse sido ontem.
Entendo agora tanta coisa e, nunca saberá mas me identifico tanto com vc, o meu Pai não teve a mesma digamos, sorte ou final.
Lamento por ele e lamento por mim.
Beijos
M.

Adelino disse...

Lord Broken, lidei com a perda de uma uma pessoa querida no ano passado: minha esposa, mãe maravilhosa de nossos três filhos,uma menina e dois rapazes. Não é fácil, amigo. A tristeza vai e volta, sem pedir licença para entrar em nossa alma. Às vezes tenho de me sentir forte ao lembrar que meus meus filhos já não têm mais a mãe perto deles.
Um grande abraço.

Eliana disse...

foi tudo muito rápido para ele e para nós. beijocas. aprendi muito com ele, cito muito o Ricardão nas minhas aulas.

Lord Broken Pottery disse...

Meg, querida,
Sou muito curioso, o que é que eu nunca saberei?
Beijo carinhoso

Adelino,
É como você diz, a tristeza vai e volta. A saudade não tem hora pra nos visitar. O tempo acomoda o sentimento, a dor serena. Apenas a saudade, às vezes, vem nos assustar.
Grande abraço

Eliana, querida,
Papai gostava muito, tinha um carinho enorme por você.
Grande beijo

Eliana disse...

e dá para dizer que "não fomos felizes"?

Lord Broken Pottery disse...

ELiana,
Somos felizes!
Beijão