quarta-feira, julho 18, 2007

A Complete Disaster

Trabalho em uma empresa que presta serviços na área de informática para um banco. Uma das coisas mais importantes nessa área, e estou no ramo há cerca de trinta anos, é analisar os riscos. Tudo o que puder ser feito para que os desastres não aconteçam, deve ser cuidadosamente elaborado. Sabemos que os problemas ocorrem basicamente por dois motivos: mudanças mal planejadas e ausência de manutenção preventiva. Toda uma estratégia tendo como foco essas duas variáveis, está no cotidiano de quem trabalha com IT (Information Technology). As autorizações para que os ambientes sejam modificados são dadas após farta documentação, rigoroso estudo, processos que o tempo vem apurando, melhorando, tornando cada vez mais precisos. Basicamente não se mexe em nada sem que a direção da companhia entenda a razão daquela solicitação e permita. Sempre nas madrugadas de sábado para domingo, quando a utilização dos sistemas é menor. A razão presente no coração de todos é preservar o ambiente para o cliente do banco. Aquele que tem conta na instituição merece todo o respeito do mundo, é a razão de nossa existência pois paga, em última instância, nossos salários.
O governo desse país não nos vê do mesmo jeito. Nossas vidas há muito deixaram de ser importantes, se é que algum dia foram consideradas. Não consigo entender como permitem o uso de um aeroporto como o de Congonhas. Colocar a existência de pessoas em cheque, diariamente, sem a menor possibilidade de defesa, é de uma irresponsabilidade ignóbil. Não há carinho, nem consideração, por quem vota e paga os impostos. A falta de amor pelos brasileiros é de uma crueldade com a qual, cada vez mais, tenho dificuldades em conviver. O povo é um estorvo que precisa ser enganado, ludibriado, calado. Que se explodam os aviões, percam-se todas as balas em peitos inocentes, chorem lágrimas até que sequem. Os mortos não podem vaiar.

48 comentários:

anna disse...

lord, fico muda em tragédias como a de ontem.
me dá medo viver.
o que escreveu me consola, exprime o que não consigo elaborar.
sinto-me cada vez mais um estorvo!

Lord Broken Pottery disse...

Anna,
Eu também.
Beijo

valter ferraz disse...

Lord,
Estorvo! essa a palavra. (parece-me que é título de um livro, não sei mas não me é estranha). Neste momento exprime o mais completamente o sentimento que me cosome. E eu detesto me considerar um estorvo na vida de qualquer pessoa. Às vezes, percebo que sou e isso machuca-me a alma profundamente.
Lendo o que você escreveu, comentei agora com a Aninha: será difícil alguém descrever mais apropriadamente o que sinto. Droga de vida.
Um abraço grande
(faço uma prece por todos os que não puderam se defender, numa tragédia anunciada como essa, pior: pode se repetir, pois não arredam pé do egoismo, da sede pelo poder)

Mário disse...

Lord, por todas as razões que você mencionou na sua excelente analogia entre a atividade tecnológica e o exercício da administração pública, não tem mesmo explicação para este lamentável fato. Outra não há que o descaso dos que governam, a imperícia e incompetência.

Lord Broken Pottery disse...

Valter,
É o que somos por aqui, nada mais do que estorvos que só servem para pagar impostos.
Abração

Mário,
Descaso, pouco caso, caso de polícia. As coisas por aqui vão de mal a pior.
Abração

Maria Helena disse...

Lord,
há muito caroço nesse angu, e não sei se o governo é o culpado disso não????
Antes do acidente da Gol em setembro próximo passado, não se falava em crise no setor, depois disso a coisa desgringolou com greves de controladores,atrasos,
brigas nos aeroportos, caos mesmo,
depois o foco mudou novamente...já era outra situação.
Sei lá enteeende????
Precisamos de uma solução urgente para que nossas vidas não sejam espatifadas no ar dessa forma.
Bjs

Claudia Lyra disse...

Num dos noticiários que assisti, alguém perguntava o motivo de se priorizar as obras de ampliação do terminal de passageiros, em detrimento às obras de reparo na pista de pouso e decolagem. Ai, Lord, estamos mesmo muito negligenciados...

Adriana disse...

Me uno a revolta e sou solidaria com todas as pessoas que perderam seres queridos.
beijinhos carinhosos cheios de vibraçoes positivas do outro lado d oceano

adelaide amorim disse...

Ando com o coração na mão, agoniada e aflita. Imagina que meu marido trabalha em outro estado, vive viajando nesse tráfego despreparado e mal-amado que é a aviação brasileira. Só rezando mesmo. Grande abraço, Lord.

Marcio Gaspar disse...

Como de hábito, sua escrita descreveu de forma sensível e inteligente, um sentimento que é dominante em todos nós. Exprimiu o (quase) inexprimível... Gde abraço.

Lord Broken Pottery disse...

Maria Helena,
O governo é o maior culpado, não tenho a menor dúvida. É quem controla, gerencia, tem os caminhos para resolver todas as questões que quiser. O presidente em nosso país tem muito poder, é do nosso sistema político. Colocou como ministro da área um cara incompetente que é o Waldir Pires, apenas para cumprir os trâmites partidários necessários. Estivesse realmente interessado e já teria resolvido. Está mais preocupado com as vaias que levou no PAN. A solução urgente precisa vir de quem tem mais poder.
Beijão

Claudia,
Quem perguntou ficou sem resposta. Não há o que responder nesse caso.
Beijo

Adriana,
Estamos precisando de muita vibração positiva, muita mesmo.
Beijo carinhoso

Adelaide,
Se Deus quiser dará tudo certo. Embora seja ateu, tenho cada vez mais certeza que só alguma autoridade divina pode resolver nossa situação.
Beijão

Lord Broken Pottery disse...

Marcio,
Acho que todos estamos perplexos. Fica muito difícil escrever com tanta emoção gritando. Obrigado por suas palavras.
Grande abraço

valter ferraz disse...

Lord,
lembrei da palavra estorvo. Foi o livro do Chico Buarque, que Rui Guerra dirigiu no filme que adaptou. Bianca Bygton. Lembrei, sabia que tinha lido um livro, não lembrava mais.
O uso da palavra, foi perfeito no contexto. Estorvo, é o que somos. Para eles. Daqueles que preferem empurrar com o pé, para não atrapalhar.
Apesar da tristeza, a vida tem que continuar.
Abraço

Marcio Gaspar disse...

Deu no Terra:

O pai de santo Paulo Fernando Rosa, o Paulinho de Xoroquê, 40 anos, pagou R$ 70 para trocar sua passagem aérea depois de acordar com uma sensação ruim, na terça-feira. A atitude fez com que ele não estivesse no vôo 3504 da TAM, que explodiu ao colidir contra o depósito da empresa, depois de atravessar a avenida Washington Luis, em São Paulo.

Onde fica o terreiro desse homem, é o que todo mundo quer saber...

É só pra amenizar o tamanho da tragédia, gente.

Lord Broken Pottery disse...

Valter,
Se fosse uma música do Chico você lembrava mais fácil. ë que escrvendo ele não é tão bom.
Abraço

Marcio,
Li que quem também se safou dessa foi o time do Grêmio. Já imaginou?
Abração

O Meu Jeito de Ser disse...

A vida não vale nada.
Principalmente se for a vida dos outros.
Tanto faz, que ela se vá através de uma bala perdida, ou achada, ou explosão de avião, ou fome, ou nas mãos de traficantes.
A única coisa que conta é o poder, desmedido, é estar no poder, e de preferência ganhando muito bem para ferrar o povo brasileiro.
Pobre povo, burro, sonso, morno e passivo, muito passivo.
Um beijo.
Me junto à dor de todos.

Vivien disse...

Queridos, não vejo o povo passivo. Acho que temos interpretações diferentes.Alguém já disse - não me lembro quem!!! - que governar um país é muito mais complicado que dar aulas na usp( dando uma cutucadinha nos intelectuais).
De mais a mais essa coisa de dizer "o brasileiro é assim ou assado" me irrita, como me irritam todas as generalizações.
beijos, Lord.

peri s.c. disse...

Caro Lord, mais um belo texto, que infelizmente não será lido por quem deveria.
abraço

Eduardo P.L. disse...

Lord, tocou no ponto. Dolorido.Mas me resta uma ultima dúvida: quem chegou primeiro o aeroporto ou a cidade?

Márcia(clarinha) disse...

Os mortos não podem curar a dor dos que ficam esperando solução, está tudo errado, estamos no meio do nada sem direção e sem condutor.
beijos

marilia disse...

"O povo é um estorvo que precisa ser enganado, ludibriado, calado. Que se explodam os aviões, percam-se todas as balas em peitos inocentes, chorem lágrimas até que sequem. Os mortos não podem vaiar"
LORD, QUE FINAL LINDO PARA UMA HISTÓRIA TÃO TRISTE.
è preciso estar atento... não temos tempo de temer a morte...
os poetas, como vc, há muito cantam a tristeza desse povo. O que fazer? já gritei tanto, já vaie muitos, já chorei por muitos, inclussive por esse que hoje desgovernam meu país!
QUE PAÍS É ESSE, TE PERGUNTO???
QUERIA VINGANÇA.
TENHO SEDE DE VERDADE, DE JUSTIÇA SOCIAL, DE RESPEITO E DE DIGNIDADE.

Maria Helena disse...

Lord,
se o problema é do governo ??? Onde está o de São Paulo que não consegue solucionar as questões do estado, foi eleito pra que???? fica se escondendo atrás do governo federal???
Eu não vejo o Serra se empenhar, nem aparecer para falar nada sobre esse aeroporto de Congonhas, tão paulistano,e problemático.
Eu posso estar errada na minha avaliação, mas é assim que eu vejo o governo do Serra, vazio, sem expressão.
Desculpe a ousadia, sinto muito.
Bjs

Cristiane disse...

Caro Lord,
Acompanhei até alta madrugada ontem...e como pode não é mesmo? Em desastres aéreos os aviões caiam...Nesse não, causado pela "pista"...ironia pura de ver o descaso com que a vida humana é tratada!
Bela colocação, como sempre!
Ainda assim passa lá, pois sexta é o Dia do Amigo! Beijo, Cris

Alice disse...

Lord,
Vc falou tudo!
Prefiro ficar quieta e orar pelas vítimas e seus parentes e amigos.
Apesar desse clima ruim tenho uma novidade lá no blog!
Beijos mil!!

Anônimo disse...

Lord Caco,

muito difícil -quase impossível - conviver com o descaso.
Seu texto,lúcido e triste, é -continua - lindo.
Beijo da
Vivina.

ERY ROBERTO disse...

Lord, eu só gostaria de entender porque o povo sente tanto os desmandos, a inépcia, o destrato da coisa pública e quando chegam as eleições "vota nos mesmos"! (há a recente experiência com reeleições espúrias de mensaleiros, sanguessugas, Malufs, etc, etc). Como acreditar no que pensa a Vivien (que seria aquilo que eu gostaria de ver, mas infelizmente não é). Não há outra forma de resumir isto, a não ser gritando para o mundo ouvir: "o GOVERNO BRASILEIRO É CRIMINOSO".

ery roberto disse...

Desculpe, "em tempo", só para complementar a minha última frase: "... e cuidemo-nos com os brasileiros que ainda, inexplicavelmente, o defendem!"

Vivien disse...

Queridos, eu vejo uma coisa interessante. Algumas pessoas que conheço bradam que o povo é passivo balbalab. Sempre "o outro", o vizinho, o sei la quem, o "brasileiro". Caraca, como detesto essas generalizações...
Creio que um movimento de auto-análise deveria ser feito: quem argumenta que "os outros são passivos"...participa de algum sindicato? alguma comunidade? efetivamente vivencia sua cidadania de alguma forma?
Bom, se quem diz que "os outros são boiada" ou sei lá o que...deveria não se sentir assim, deveria participar. Seria o mais sensato, creio.
Particularmente, creio que todos devem ter liberdade de expressão e direito de discordar/concordar do que quiserem. Eu votei em Lula todas as vezes e tenho a liberdade política de avaliar essa escolha como boa.Obviamente SE eu achasse que todos os problemas sociais históricos do pais fossem resolvidos rapidamente e/ou achasse que a podridão secular da política fosse acabar em poucos anos estaria frustrada.
Me reservo o direito de ter essa opinião, assim como respeito a opinião dos demais...apesar de discordar diametralmente.
Um beijo a todos e me desculpem se desci a ladeira.

Sibila disse...

Lord,
tocada, arrasada como todos. Acho q o maior problema de Congom-nhas é o de , como bem colocou o Peri, áreas de escape para os aviões. No caso de anteontem, parece q o problema não foi a pista. Mas isso não retira a responsabilidade de autoridades, sejam em q plano for.
Acho abominável, os políticos-urubus de plantão virem ganhar pontos em cima de tamanha tragédia. Levianos e carniceiros.
Outra coisa; ás vezes me pergunto se o poder público há muito não perdeu para o poder privado nesse país. Ou se algum dia vivenciamos, na prática, o sentido que o termo Res Pública significa, na raiz. Bjs condolentes, sentidos.

Ricardo Rayol disse...

Lord, palavras perfeitas, eu que passo quase sempre por aquela bosta do aeroporto tinha certeza que uma obra cuja atividade visando a segurança seria realizada após a entrega da reforma não podia dar em boa coisa. Mesmo que a causa seja a turbina ou falha humana uma pista segura iria ajudar em muito o pouso.

Lord Broken Pottery disse...

Aninha,
Bonito desabafo, uno-me a ele.
Beijão

Vivien,
Não vejo distinção entre o intelectual e o operário sindicalista. Um teve muito tempo e errou, o outro vem errando sistematicamente.
Beijão

Peri,
Quem deveria, lê tudo o que estão escrevendo por aí e não acredita, fica magoado.
Grande abraço

Eduardo,
No lugar daquele aeroporto deveriam construir um parque. O verde é sempre a melhor solução. Melhora o ar e traz lazer para a população.
Grande abraço

Márcia,
Completamente abandonados. Obrigado por sua visita. Farei um link e retribuirei.
Beijo

Marília,
Sinto-me um pouco cansado, desanimado, já tive mais esperança. Obrigado por suas palavras.
Beijo

Maria Helena,
Não tenho partido. O Serra também erra feio muitas vezes. Agora o aeroporto de Congonhas é administrado pela ANAC e pela INFRAERO. O presidente da INFRAERO é um brigadeiro que responde ao Lula. O Ministério da Defesa é comandado pelo Waldir Pires que é ministro do Lula, a Aeronáutica é comandada pelo Lula. Quem precisaria ter dado um soco na mesa há muito tempo, e resolvido essa questão do apagão aéreo de uma vez por todas? Quando irão entender que Congonhas precisa ser fechado, que é um risco para os passageiros e para as pessoas que vivem próximo do aeroporto?
Não tenho que desculpar nenhuma ousadia. Todos nós estamos aqui para dizermos, livremente, o que vai pelos nossos corações. É o grande barato dos debates.
Beijo carinhoso

Cris,
Estou indo lá.
Beijo

Alice,
É isso. Quem for de orar que ore. Já estou indo ver.
Beijo

Vivina,
E seu carinho, como sempre, me comove.
Beijão

Ery,
Eu ainda acredito, quero muito acreditar, que é votando que aprendemos a votar. O povo, por caminhos muitas vezes insondáveis, acaba aprendendo. Demora muito mais tempo do que gostaríamos, mas o povo sabe o que faz. Espero...
Abração

Vivien,
Você não tem do que se desculpar e nem desceu a ladeira. Concordo que votar é isso mesmo, ter a liberdade e o direito de escolher segundo nossas convicções. Foi pra isso que lutamos tanto e aguardamos tanto tempo a democracia.
Beijão

Sibila,
Não gosto muito de falar sobre o que não entendo. A melhor solução para Congonhas seria fechá-lo. Fazer um aeroporto distante, em área pouco povoada, com bastante escape, e com acesso via trem, poderia ser um bom projeto. Caro? Talvez mais barato do que muitos outros projetos.
Beijão

jayme disse...

Milord, de fato, se o acidente tivesse ocorrido em Viracopos ou Cumbica, as vítimas teriam sido umas touceiras de mato, um teco-teco de pouca sorte ou no máximo algum bezerro. Pouso e decolagem de aviões de grande porte em aeroportos dentro de cidades são realmente um risco para quem está em volta. Eu acho que esse é o ponto a ser discutido. O que, no entanto, me preocupa, é um pré-julgamento generalizado que coloca a gestão do aeroporto como causa do acidente -- o que tem levado a uma grita geral contra uma suposta negligência que, em nome de algum senso de justiça, me parece no mínimo uma avaliação precipitada. Linchamentos também começam com avaliações dessa ordem: em nome de uma antipatia pregressa, se julga sobre bases falsas e se condena sem que os fatos tenham sido considerados de forma estrita. Não tenho maior simpatia pelo governo e sua gestão, mas tenho um apego muito grande por justiça. Que os fatos venham à tona, que as explicações se viabilizem, que a verdade apareça. Aí sim haverá o que e com que julgar. Abração,

ery roberto disse...

Lord, concordo com sua resposta cheia de correção e verdade. Se algo do que escrevi anteriormente deixou de ser normal para quem quer que seja, permito-me lembrar que o fato de simplesmente "votar porque é obrigatório" é ser passivo sim. O ato de condicionar o voto a qualquer benesse que seja dada ou prometida é passividade bovina sim. Que nossos últimos governos têm sido "criminosos", mantenho, sim. Ou corrupção é virtude? Que este governo que aí está é omisso não há mais qualquer dúvida. E quando refiro-me a governo é preciso explicar: são os poderes, não apenas a figura do presidente. No caso recente, o Legislativo é podre, com a Câmara conduzida por incompetências consagradas legislando em causa própria e o Senado mergulhado numa crise de valores. O Judiciário se tornou irresponsável. Agora, se um presidente que gosta tanto de "palavras" chama para si a responsabilidade ao dizer, em 28.03.07: "Resolver a crise aérea é prioridade ZERO do governo", e mantém órgãos críticos e Ministério específico da questão sendo geridos por pessoas menos competentes ainda, o que esperar? É tudo uma questão muito complexa, da qual precisamos manter, principalmente, a humildade para reconhecer que temos participação efetiva em todos esses erros. Outra coisa, concordo desde o início que priorizar, neste momento, o apontamento de culpados, é um ato de agressão aos familiares das vítimas que são os que mais sofrem. O ideal é a busca de solução e correção dos erros. E erros também devem ser assumidos. Desculpe certo ímpeto, querido amigo. Mas acontece que cada ser humano carrega dentro de si um complexo próprio de emotividade e o grande desafio é dar a essas emoções a necessária resistência para com a nossa vil realidade. Abraço, com a admiração de sempre.

Sibila disse...

Acho q instar a votar a menos "bovina" das atitudes que nos impôem. Instar a trabalhar sem a menor dignidade, sem proteção, sem poder de diálogo, muito pior, no mínimo. Obrigar a votar é ato muito mais SALUTAR, ou ao menos no mesnmo nível do q ocorreu com a Revolta da Vacina. A associação é clara: vacinar era, naquele momento (e hoje) prevenir mortes iminentes, mas era um atentado a crença, à forma de organi\zação e de jeitos de ser de outras (coletivo, organização) pessoas. Não houve diálogo, houve imposição, vacinação, marcação contra um vírus q poderia ser disseminado em massa. Realmente respeitar e dialogar no sentido de uma coexistência com os modos e culturas, de igual pra igual, é salutar. Ninhguém é bobo, muitos desinformados. Acho incrível se rebelar contra o voto obrigatório e não nse indignar contra a obrigatoriedade de se trasladar 3 a 4 horas pro trampo, de se trabalhar sobre pressão, do rumo ser o acúmulo de dinheiro, de muuuuto dinheiro. Questão importante a do voto obrigatório, mas controversa, no mínimo.
Beijos a todos, Lord, e a vc, Ery, q nos traz sempre textos lindíssimos.

Maria Helena disse...

Lord,
Olha eu aqui de novo!!!! Situação danada de polêmica heim????
Não isento o governo federal do problema, mas continuo afirmando que o governador não pode cruzar os braços numa questão do estado.
Outra coisa que eu gostaria de entender (de verdade), o aeroporto não foi construído a vários anos??? a área em sua volta não é sempre risco???
Eu não moraria lá, e por conta disso não estaria criticando agora.
Sei que São Paulo, cresceu pra cima, pra baixo, para todos os lados, sei também que o setor imobiliário é inconsequente, mas volto a dizer, não moraria lá.
Lembra daquele acidente há 10 anos?? E o povo continua se estabelecendo por perto??? não é uma opção??? De quem é a culpa????
Não vou aborrecê-lo mais.
Bjs

Lord Broken Pottery disse...

Ricardo,
Concordo com você. Tudo seria evitado, ou minorado, se a pista fosse segura.
Abração

Jayme,
Já que falei em TI, conto uma historia que aconteceu aqui no banco. Exemplifica meu pensamento. Um gerente foi descoberto levando propina de uma empresa pela auditoria. O dono do banco passou a régua. Todos da hierarquia que estava acima dele foram demitidos, até a diretoria mais alta. A justificativa era que ou estavam no esquema e roubavam também, ou eram incompetentes por deixarem roubar em suas barbas. Na iniciativa privada essas regras valem. São duras mas têm lá sua lógica. Também sou contra julgamentos sumários, mas de quem seria a culpa? A minha reclamação é um pouco mais ampla, vai além do acidente. De quem é a culpa da crise aérea, porque prolonga-se há tanto tempo? Sou sempre a favor de se seguir a hierarquia. Tenho a perfeita consciência, e aceito isso como fato normal, de que se um funcionário meu errar a culpa é minha. É como você disse, que os fatos venham à tona.
Grande abraço

Ery,
Concordo inteiramente com você. Até para não passar a idéia de que tenho simpatias por algum governo, acho que todos os anteriores estão no mesmo saco. A corrupção em nosso país é endêmica. Aceita por muita gente que sequer a reconhece, tão comum é no cotidiano. Quem já não viu, e acha normal, policiais tomarem café da manhã nas padarias e sairem sem pagar? Também sou contra, muito contra, o voto obrigatório, até porque, ao nivelar por baixo, iguala a minha escolha a de gente que vai às urnas brincar e escolher gente da pior espécie. Enfim, dando razão ao seu raciocínio, acho que a crise é gerencial e precisa ser urgentemente resolvida.
Grande abraço

Sibila,
Uma coisa não invalida a outra. O voto obrigatório é uma questão para ser discutida. Uns são contra (como eu), outros a favor, como a maioria dos políticos. Não conheço ninguém, pelo menos que declare, favorável às misérias que nos assolam.
Grande beijo

Maria Helena,
Concordo com você. Serra deu declaração hoje, da qual discordo, dizendo que Congonhas precisa ter um tráfego aéreo controlado, com aviões pequenos. Discordo. Congonhas precisa ser fechado. Todos os governos, da área federal a municipal, responsáveis que são pelas pessoas que os elegeram, deveriam fazer um projeto que nos desse, a curto prazo, um aeroporto seguro. O povo estabelece-se onde é mais barato. Essa é a razão das favelas nas encostas dos morros. A crise de moradia é outro problema sério. Adoro receber sua visita para debatermos, você não me aborrece, me honra com sua presença.
Grande beijo

Sibila disse...

Lord,
claro q ninguém em sâ consciência se declara a favor da miséria (mesmo q nesse sentido ganhe colocação sóciopolítica, e o faz por outros meios perversos). Procuro chamar atençâo para o que, a exemplo da Reforma da Vacina no Rio,início do XX, foi afinal: errada ou não? Não em si, mas errada no contexto, penso eu. O voto, a mesma coisa: no início do séc XX era um conclamar os votos de cabestro _ Viva a República Velha!
Dali prá cá, as mulheres, os analfabetos. hove conquistas substanciais de setores da população qto ao direito ao voto. Hoje pode ser igual a antes, tipo: "o povo não sabe votar", e já q não sabe, vota em nós, seja pq concedemos algumas casinhas a uns amiguinhos deles, seja pq nosso apelo publicitário tá funcionando". Péssimo, realmente. Mas, se conquistada (e pode ser cada vez mais conquistadada) condição independente de sermos, em geral, mais independentes, parece ser bom o fato de votar. O brasileiro acha "q tá tudo dominado" pela elites, qdo nascem, qdo adoecem, qdo morrem e qdo trabalham e vivem cotidianamente o dia-dia trágico muitas vezes de suas vidas. Obrigar o voto: arrogância. Des-ensiná-lo, pior. Votar ou não votar , meisn a questão, mas saber pq se vota ou por quem, oputra qindamais importante. Ou queremos uma ditadura ainda maior ( do mercado ou do estado)? Bjs.

Sibila disse...

Ui, desculpe, foi cheio de erros , já a marca pessoal (e um pouco involuntária) de quem escreve. Espero que, ainda assim, válida. bjs, querido Lord.
Ai como eu levo tudo isso a sério!!!

Lord Broken Pottery disse...

Sibila,
Não sei se entendi bem a sua argumentação. O voto é um direito, uma conquista, acostumei-me a ver gente da minha família votar com mais de noventa, até morrer, mesmo sem ser obrigado. Era por civismo, vontade de participar, influir. Adoro votar, levo meu voto muito a sério, lutei para que tivéssemos democracia, enfrentando a ditadura como pude. Falo da obrigatoriedade do voto. Sou contra qualquer coisa que seja obrigatória. Qualquer um deveria ter o direito de votar ou não. A não obrigatriedade do voto não tira o direito do mais humilde votar.
Beijão

valter ferraz disse...

Lord,
vejo que perdí o avião por aqui.Acho que foi melhor assim. Ando muito amargo e às vezes perder o avião é premonitório, não?
Sem querer fazer piada com momentos tão triste, concordo com você. Não postei sobre o assunto, limitei-me a comentar aqui e alí. Tenho um pouco de receio de minhas convicções. Às vezes crio animosidades involuntárias.
E não gosto muito desse negócio de direitista, esquerdita, etc.
Sou pelo bem comum e quando vejo que ele está menosprezado, fico nos cascos.
Furtei-me ao debate de propósito.
Mas, mantenho minha opinião.
Grande abraço

denise disse...

Não quero comentar movida por emoção, pois tenho lutado contra a revolta, a indignação resultante da impunidade neste país. assim, atenho -me apenas a sentir muito esta dor das famílias, uma dor que conheço tão bem.
abraço, garoto

Lord Broken Pottery disse...

Valter,
Entendo bem as suas razões. Eu mesmo, fugi um pouco às minhas características nessa postagem, movido pela emocão. Já disse e repito, emoção demais não é companheira adeqüada para bons textos.
Abraço

Denise,
Sei de sua dor, entendo suas razões.
Grande beijo

marilia disse...

Lord, voltei... agora o avião não estava com a manutenção em dia, já teve uma pane com outro avião da TAM, e a empresa gentilmente acomodou os passageiros até que o avião fique pronto em um bom hotel de Belém, o politico da bahiaacaba de falecer, e tudo fica igual,??/ sem Renam..., sem exxplicações, e agora, sem o "painho"...
E vc me diz que esta desanimado? tem coisa a bessa acontecendo.
Suas palavras são sempre bem- vindas.

Lord Broken Pottery disse...

Marília,
O desânimo vem da ausência de luz no final do túnel. O tempo será, como sempre, o melhor remédio. Tudo continuará como sempre foi.
Beijão

Anjo Negro disse...

Resporsta: Sim! Eu leio muitos e muitos livros! Eu aaamoooo ler! Aocontrário de minhas amigas ¬¬
Comentário: Cara, dizem que o avião tava com um problema na asa desde o dia 13, e que estava previsto que o avião ia aguentar até o dia 23, mas já tinha dado um problema no dia 16, um dia antes do acidente. Me diz, como podemos nos sentir seguros num país como esse. Ano passado teve o maior acidente aéreo do país. Esse ano tivemos um novo acidente que bateu o recorde do ano passado. Meu, tô ficando até com medo de viajar par Fortaleza nesse final de ano. Tomara que até lá, o ula tenha mexido aquele traseiro gordo e feito alguma coisa em relação à isso. Vamos esperar para ver.
:*

Lord Broken Pottery disse...

Anjo Negro,
Viu como adivinhei, pelo seu texto, que você lia bastante? Tomara que até a sua viagem para Fortaleza tudo tenha melhorado.
Beijão

Saramar disse...

Infelimente, Lord, o governo (?) é inimigo do povo, usando-o como instrumento para se manter no poder.
Nas mentes oficiais, só para isso servimos.

Lord Broken Pottery disse...

Saramar,
Também ando desencantado de governos.
Beijão